Para os que pretendem ser radioamadores, para os que gostam de ouvir ondas curtas e desejam entender as mensagem em códigos, para os que pretendem conhecer este importante meio de comunicação que é a radiotelegrafia, descrevemos um simples oscilador para a prática de código.
O conhecimento de telegrafia é fundamental para se obter a licença de radioamador. Por outro lado, muitos são os que gostariam de poder entender as comunicações telegráficas das faixas de ondas curtas, que podem trazer mensagens emocionantes, como pedidos de socorro de barcos com problemas ou até mesmo informações de guerra, como as que podiam facilmente ser captadas em nosso país no tempo do conflito das Malvinas. (O artigo é de 1895)
Entretanto, muito mais do que memorizar o Código Morse, para conseguirmos enviar ou receber mensagens telegráficas é preciso treino.
Somente com a educação do ouvido e o treino dos dedos é que conseguimos entender as mensagens telegráficas ou enviá-las com precisão e rapidez.
Os cursos que visam formar radioamadores partem justamente deste fato: um treinamento na recepção e um treinamento na transmissão é que permitem, ao candidato, enfrentar o exame que lhe dará a tão cobiçada licença com um prefixo só seu!
Para a prática de telegrafia, um instrumento fundamental é o oscilador de treino.
Descrevemos neste artigo um simples circuito que poderá ser de grande utilidade para os leitores que pretendem entrar neste interessante campo das telecomunicações.
COMO FUNCIONA
O que temos é um oscilador de áudio com transistores complementares.
Num oscilador, parte do sinal da saída é reaplicada à entrada, de modo a manter as oscilações. A velocidade com que ocorre a reaplicação determina a frequência, no caso dada por C1.
Podemos controlar esta frequência sensivelmente através do potenciômetro P1. Este componente permite ajustar o som, para que se torne agradável na prática de telegrafia.
Na figura 1 mostramos a ligação do oscilador num sistema que permite a prática simultânea de dois estudantes, simulando duas estações telegráficas por meio de fios.
Uma estação pode ficar numa sala e a outra na sala adjacente, simulando um contacto a “longa distância".
A alimentação do aparelho é feita com apenas duas pilhas pequenas que, mesmo assim, proporcionam um excelente volume .em alto-falantes comuns, sem a necessidade de amplificação.
MONTAGEM
O diagrama completo do oscilador é mostrado na figura 2.
Como se trata de montagem muito simples, que pode também ser usada para que os leitores principiantes treinem sua habilidade de montadores, damos a versão em ponte de terminais apenas, mostrada na figura 3.
Os principais cuidados com a montagem e obtenção dos componentes são os seguintes:
Os transistores são de dois tipos: os NPN podem ser os BC548, BC238, BC237 ou BC547. Os PNP podem ser BC547, BC558 ou quaisquer equivalentes. Observe a posição de montagem e cuidado para não trocá-los.
O alto-falante pode ser de qualquer tipo de 4 ou 8 ohms, sendo recomendado o tamanho mínimo de 1ocm para melhor qualidade de som e volume.
Os resistores são de 1/8 ou ¼ W e o único capacitor é cerâmico ou de poliéster de 47 nF (473). Valores próximos podem ser usados para se obter outra faixa de sons.
O potenciômetro não é crítico. Seu valor original é de 220 k, mas valores na faixa de 100 k a 470 k também permitirão que o aparelho funcione.
A fonte de alimentação (B1) é formada por 2 pilhas pequenas em suporte apropriado.
O manipulador pode ser improvisado, conforme mostra o próprio desenho da versão em ponte, já que os tipos profissionais custam muito caro para uma simples prática.
Uma base de madeira é usada para servir de apoio a uma lâmina de latão ou alumínio dobrada e presa com parafuso. Um parafuso serve de terminal de contacto sob o isolador de borracha ou outro material, onde os dedos se apoiam.
Terminando a montagem é muito simples experimentar e usar o oscilador.
PROVA E USO
Para provar, coloque duas pilhas boas no suporte, observando sua polaridade.
Não há interruptor para desligar o aparelho, pois com o manipulador desapertado o consumo de corrente é mínimo.
Tenha apenas o cuidado de retirar as pilhas do suporte quando o aparelho estiver fora de uso.
Aperte o manipulador e ajuste P1 para obter o som na tonalidade desejada.
Depois, é só usar.
Para usar o aparelho precisamos, em primeiro lugar, conhecer o Código Morse.
Neste código, a emissão de um sinal por um curto espaço de tempo corresponde a um ponto enquanto que a emissão por um espaço um pouco mais longo corresponde a um traço.
Apertando o manipulador compassadamente, podemos obter pontos e traços que, codificados, podem formar letras, palavras e mensagens inteiras.
Damos então, em primeiro lugar, o Código Morse, que é adotado internacionalmente:
Comece tentando transmitir e receber letras isoladamente, acostumando o ouvido com cada uma, até memorizá-las todas.
Somente depois disso tente transmitir palavras soladas, sempre compassadamente, e depois, finalmente, as mensagens.
Com o tempo, treinando a dois, pode haver a troca de mensagens cada vez- mais rapidamente, até atingir a velocidade normal mínima exigida para os exames.
Para não adquirir "vícios" que ocorreriam com a transmissão e recepção apenas de um parceiro, procure sintonizar, num rádio de ondas curtas, transmissões telegráficas e pelo menos procurar identificar letras isoladas até conseguir, com a prática, entendê-las todas.
É claro que também existem cursos em que discos ou fitas são disponíveis para se obter maior treinamento.
LISTA DE MATERIAL
Q1 - BC548 ou equivalente - transistor NPN
Q2 - BC558 ou equivalente - transistor PNP
C2 - 47 nF (473) - capacitor cerâmico
R1 - 4k7 x 1/8 W - resistor (amarelo, violeta, vermelho)
R2 – 1 k x 1/8 W - resistor (marrom, preto, vermelho)
P1 – 220 k - potenciômetro
M1 - manipulador (ver texto)
B1 - 3 V - duas pilhas pequenas
Diversos: alto-falante, fios, ponte de terminais, suporte para duas pilhas, etc.



















