Que tal livrar-se desta situação desagradável: depois de estar bem quentinho debaixo das cobertas, assistindo ao seu filme predileto, você precisa levantar para desligar o aparelho de TV quando ele terminar. ficando sujeito a um belo resfriado, além do frio desagradável.
E claro que o aparelho que propomos não lhe ajudará a se livrar somente deste problema se seu televisor não for de controle remoto, mas de muitos outros e inclusive ser usado para algumas brincadeiras. O controle remoto que propomos pode ser usado para ligar ou desligar aparelhos eletrodomésticos alimentados pela rede, dentro de sua casa, sem fio!
Obs. O artigo é de 1984
Naturalmente, como demos a entender, desligar um televisor a partir da cama é apenas uma das possíveis aplicações para este controle remoto.
Existem muitas outras que podemos citar imediatamente e que, sem dúvida, podem encaixar-se dentro das necessidades do leitor, levando-o a elaborar este interessante projeto.
Começamos pela possibilidade de se ligar e desligar um aparelho de som a partir de qualquer ponto de sua casa, ou mesmo da poltrona da sala, o que significa uma comodidade interessante.
Podemos citar o acendimento da luz da sala a partir de um comando de qualquer outro ponto da casa.
Uma brincadeira interessante consiste em se combinar com alguém, ou mesmo o próprio leitor de modo escondido, para ligar um gravador ou um abajur (ou ambos) em um quarto que apresentará um efeito de “mal-assombrado".
Finalmente podemos sugerir este aparelho para chamada remota. Se o leitor costuma trancar-se num quarto do fundo de sua casa para realizar seus projetos eletrônicos, leve o receptor deste controle remoto e ligue-o a uma cigarra ou lâmpada.
Deixe o transmissor onde estiverem outras pessoas e pronto. Quando qualquer uma delas quiser chamá-lo, pode fazer por controle remoto!
Muito simples de montar, este controle remoto utiliza a rede de alimentação de sua casa para levar seus sinais, e não precisa de qualquer ajuste.
Ele alimenta um relê para a rede local, que pode suportar cargas de potência relativamente altas, tais como os eletrodomésticos comuns, até um televisor.
COMO FUNCIONA
A ideia básica do circuito é muito simples: usar a rede de alimentação doméstica para transmitir o sinal de comando de uma via.
Como fazer? Muito simples: lembrando que a rede já conduz um sinal de 60 Hz, que é a própria tensão de alimentação, tudo que temos de fazer é trabalhar com um sinal de frequência mais alta.
Usando um filtro no receptor poderemos facilmente fazer a separação. O receptor só reconhecerá o sinal de frequência mais alta, que no caso é de 40 kHz. (figura 1)
O sistema completo tem um canal, para ligar ou desligar um eletrodoméstico comum, e opera sem problemas dentro do âmbito domiciliar.
Começamos por analisar o circuito transmissor que tem sua estrutura básica mostrada na figura 2.
A partir de um transformador com primário de acordo com a rede local obtém-se uma tensão contínua que alimenta um multivibrador astável com dois transistores NPN.
A frequência deste multivibrador depende dos capacitores de acoplamento entre os coletores e bases dos transistores e dos resistores de polarização de base, ficando em torno de 40 kHz.
O sinal do multivibrador é amplificado por um transistor BD140 ligado na configuração de emissor comum.
Se bem que o sinal obtido seja retangular, rico em harmônicas, portanto, interessa-nos muito mais o fato de existir uma série de componentes de alta frequência que ele pode aplicar à rede.
A aplicação é feita via dois capacitores de 100 nF que devem ter boa tensão de isolamento, para se evitar problemas. Estes capacitores devem ter uma tensão de pelo menos 250 V se a rede for de 110 V e de pelo menos 450 V se a rede for de 220 V.
Este transmissor é simplesmente acionado pelo interruptor geral.
O receptor tem a estrutura básica mostrada na figura 3.
Também começamos pelo transformador de alimentação, que fornece uma tensão contínua para alimentação do restante do circuito.
O sinal que vem da rede não passa pelo transformador. Daí temos de utilizar dois capacitores com bom isolamento para fazer o acoplamento às etapas de entrada.
A etapa de entrada consiste num filtro passa-altas, ou seja, um circuito que deixa passar somente os sinais de alta frequência.
Este circuito está dimensionado para impedir a passagem do sinal de 60 Hz, mas deixa passar o sinal em torno de 40 kHz do transmissor.
Como o filtro deixa passar tudo acima de uma certa frequência, na qual está o sinal do transmissor, não é preciso que este tenha um ajuste crítico, daí a vantagem deste sistema.
O sinal que passa pelo filtro é levado a um circuito detector, que tem por base um diodo 1N4148.
Na saída deste detector existe uma rede de retardo, que tem por finalidade evitar que o circuito responda a sinais de curta duração que podem ocorrer quando se aciona um interruptor ou quando ocorre uma descarga estática nas proximidades.
Para acionar o relê são usados dois transistores na clássica configuração Darlington, em que se obtém excelente ganho aliado a um mínimo de componentes.
O relê é RU101012 para12 V, com um contacto reversível, de boa sensibilidade.
Uma característica importante deste aparelho, que deve ser levada em conta no seu uso, é que o relê se mantém acionado somente na presença do sinal do transmissor.
Assim, na verdade, o interruptor do transmissor funciona como um interruptor remoto para o aparelho que está sendo controlado.
OS COMPONENTES
Nenhum componente usado nesta montagem é especial, e existem mesmo aqueles que admitem equivalentes.
Começamos por sugerir as caixas para a montagem tanto do receptor como do transmissor, conforme mostra a figura 4.
Quanto aos componentes eletrônicos temos poucas observações a fazer.
O relê é RU101012, bastante comum em nosso mercado. Se o leitor tiver em disponibilidade algum relê sensível de 12 V pode experimentá-lo.
Os transformadores, tanto do receptor como do transmissor, têm primário de duas tensões e secundário de 12 V com corrente de 100 mA.
Sugerimos a utilização do menor possível, para que a caixa usada também seja pequena. Em caso de necessidade, pode ser usado um transformador de 6 + 6 V mantendo-se desligada a tomada central (CT).
Os transistores de pequena potência do transmissor e receptor são BC548 ou equivalentes, como o BC237, BC238 ou BCB47.
Já o transistor de potência do transmissor (Q3) é um BD140 ou equivalente, como o TIP28.
Os retificadores das fontes são 1N4001 ou equivalentes da mesma série, enquanto que os demais diodos podem ser 1N4148 ou 1N914.
Os resistores são todos de 1/8 W com exceção do R6 do transmissor que é de 1 W.
Os capacitores eletrolíticos devem ter uma tensão de trabalho de pelo menos 16 V.
Os capacitores ligados à rede (C1 e C2 do receptor e C2 e C3 do transmissor) devem ter tensões de trabalho altas: 250 V se a rede for de 110 V e pelo menos 450 V se a rede for de 220 V. Os demais capacitores são cerâmicos e de poliéster comuns, com tensão a partir de 25 V.
Restante do material não oferece dificuldades. O leitor precisará ter recursos para a confecção das duas placas de circuito impresso e das caixas.
MONTAGEM
Na figura 5 damos o circuito completo do transmissor, com todos os componentes citados com os valores do protótipo.
A placa de circuito impresso sugerida para o transmissor é mostrada na figura 6.
Comece a montagem pelo transmissor, observando o seguinte:
a) Solde os transistores em primeiro lugar, observando sua polaridade. Para Q1 e Q2 esta é dada pela posição do lado chato. Para o Q3 esta posição é dada pelo metal dissipador.
b)Depois solde D1, tomando cuidado com sua polaridade, dada pela faixa no invólucro.
c) Quando soldar o capacitor eletrolítico C1, observe sua polaridade.
d) Para os demais capacitores é importante apenas não confundir os valores.
e) Os resistores têm os valores dados pelas faixas coloridas. Cuidado para não trocar valores.
f) Na colocação e ligação do transformador, cuidado para não trocar os enrolamentos.
g) Complete a montagem com a ligação do interruptor, a chave de troca de tensões e também o cabo de alimentação.
Depois é só passar à montagem do receptor.
O circuito completo do receptor é mostrado na figura 7.
A placa de circuito impresso que sugerimos é dada na figura 8.
Na montagem do receptor observe os seguintes cuidados:
a) Solde em primeiro lugar todos os transistores, atentando para sua posição dada pela parte achatada no invólucro. Seja rápido.
b) Solde depois os diodos, observando que D1 é diferente de D2 e D3, mas todos têm polaridade dada pela faixa ou faixas.
c) Na soldagem dos eletrolíticos é preciso observar a polaridade.
d) Os capacitores cerâmicos devem ser soldados rapidamente, pois são sensíveis ao excesso de calor.
e) Os resistores têm seus valores dados pelas faixas coloridas. Confira com a lista, se tiver dúvidas.
f) O relê, se do tipo usado, encaixa-se diretamente na placa onde seus terminais serão soldados.
g) A soldagem do transformador é feita com os mesmos cuidados que no caso do mesmo componente do transmissor.
h) Passamos agora aos componentes externos da placa, ligando a chave comutadora de tensão, o cabo de alimentação e os fios à tomada onde será ligado o aparelho controlado.
Depois de tudo isso, confira as duas montagens e prepare-se para um teste de funcionamento.
PROVA E USO
Ligue o transmissor numa tomada qualquer de sua casa e o receptor em outra tomada. Na tomada do receptor será ligado um abajur ou então outro aparelho doméstico comum. (figura 9)
Se possível, procure ligar um aparelho e outro em tomadas que tenham fiação comum de sua casa, ou seja, que estejam alimentadas pelo mesmo par de fios.
As chaves de tensão devem estar ajustadas para os valores de sua rede, ou seja, 110 V ou 220 V, conforme o caso.
Ligue o interruptor do transmissor. Imediatamente o aparelho ligado ao receptor (que deve estar com seu interruptor ligado) deve entrar em funcionamento.
Enquanto o interruptor do transmissor for mantido acionado o aparelho ligado ao receptor também estará ativado.
OBS.: os funcionamentos erráticos podem dever-se a diversos motivos.
Problemas de sensibilidade podem ocorrer se o sistema for ligado em redes diferentes como, por exemplo, no modo indicado na figura 10, caso em que o percurso do sinal indo até a rua, onde existe um transformador, para depois entrar pela segunda rede pode significar uma grande perda de potência.
Outro caso é a existência de aparelhos causadores de interferências como, por exemplo, motores elétricos com escovas, máquinas de solda (de fábricas próximas), etc.
No caso de se verificar que a interferência vem de fora de sua casa, pode-se tentar uma eliminação com a ligação na chave de entrada de um capacitor de 1oonF com tensão de trabalho de pelo menos 450 V.
Para usar o aparelho, o procedimento é simples:
Coloque o transmissor no local em que pretende fazer o acionamento, desde que tenha uma tomada próxima, e o receptor é intercalado entre a rede e o aparelho controlado - figura 9.
Enquanto você mantiver a chave do transmissor ligada, o receptor manterá o aparelho controlado acionado.
Lista de Material
Transmissor:
Q1, Q2 - BC548 ou equivalente - transistores NPN
Q3 - BD140 - transistor de potência PNP
D1 - 1N4001 ou 1N4002 - diodo de silício
C1 - 100 uF x 16 V ~ capacitor eletrolítico
C2, C3 - 100 nF 450 V (Ver texto) - capacitores de poliéster
C4, C5 - 560 pF - capacitores cerâmicos
C6 - 100 nF - capacitor cerâmico
R1, R4 ~ 2k2 x 1/8 W - resistores (vermelho, vermelho, vermelho)
R2, R3 ~ 47 k x 1/8 W - resistores (amarelo, violeta, laranja)
R5 – 10 k x 1/8 W ~ resistor (marrom, preto, laranja)
R6 – 150 R x 1 W - resistor (marrom, verde, marrom)
T1 - transformador com primário da 110/220 V e secundário de 12 V x100 mA ou mais)
S1 - interruptor simples
S2 ~ chave comutadora de tensão 110/220 V
Diversos: cabo de alimentação, placa de circuito impresso, fios, caixa para montagem, etc.
Receptor:
Q1, Q2, Q3 - BC548 ou equivalente - transistores NPN
D1 - 1N4001 ou equivalente - diodo de silício
D2, D3 - 1N4148 - diodos de uso geral
K1 - relé RU 101 012
C1, C2 – 100 nF x 250 V (110 V) ou 450 V (220 V) - capacitores de poliéster
C3 – 10 nF - capacitor cerâmico
C4 - 470 pF - capacitor cerâmico
C5 - 1 000 uF x 16 V - capacitor eletrolítico
C6 ~ 2,2 uF x 16 V - capacitor eletrolítico
C7 ~ 22 uF x 16 V - capacitor eletrolítico
R1 – 56 R x 1/8 W - resistor (verde, azul, preto)
R2 ~ 100 k x 1/8W - resistor (marrom, preto, amarelo)
R3, R4, R7 – 1 M x 1/8 W - resistores (marrom, preto, verde)
R5 - 3k3 x 1/8 W - resistor (laranja, laranja, vermelho)
R6 – 120 k x 1/8 W - resistor (marrom, vermelho, amarelo)
R8 - 2k2 x 1/8 W - resistor (vermelho, vermelho, vermelho)
R9 – 220 k x 1/8 W - resistor (vermelho, vermelho, amarelo)
T1 - transformador com primário para 110 e 220 V e secundário de 12 V com 100 mA ou mais
S1 - chave de troca de tensões 110/220 V
P1 - tomada de alimentação
Diversos: placa de circuito impresso, cabo de alimentação0, caixa para montagem, fios, solda, etc.


























