Eis um circuito interessante para o técnico reparador de TV. Trata-se de um gerador que produz barras horizontais igualmente espaçadas na tela de um televisor, facilitando assim a localização de falhas, o ajuste de linearidade e de altura. Simples de montar ele é alimentado com pilhas comuns ou bateria.

Nota: Artigo publicado na revista Eletrônica Total 59 de 1993.

Para reparar ou ajustar um televisor é preciso produzir um sinal apropriado que faça aparecer na tela um padrão de imagem conhecido. Existem aparelhos comerciais com esta finalidade, produzindo linhas horizontais, verticais, pontos, padrões de grade e até cores (figura 1).

 


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No entanto tais aparelhos nem sempre estão ao alcance do técnico, que muitas vezes não possui o capital necessário para sua compra e também não conhece todos os recursos a ponto de utilizá-los eficientemente.

Assim, para um técnico iniciante, a utilização de um aparelho mais simples e acessível pode ser de grande ajuda. O aparelho que descrevemos neste artigo produz um padrão de faixas horizontais que são ajustadas em largura e separação, facilitando assim dois tipos de ajustes: linearidade e altura.

Simples de montar, este aparelho irradia seu sinal para o televisor, de modo que não se necessita de nenhuma conexão. Os sinais são captados entre os canais 2 e 4, conforme o ajuste de CV.

 

 

Características

 

• Tensão de alimentação: 6 ou 9 V

• Corrente consumida: 10 mA (tip)

• Saída de sinal: entre os canais 2 e 4

• Ajustes: largura e separação das barras

• Tipo de padrão: barras horizontais

 

 

 

COMO FUNCIONA

Para produzir barras horizontais na tela de um televisor, conforme mostra a figura 2, precisamos modular o sinal de vídeo, de alta frequência, com um sinal de frequência menor.

 


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Modulando este sinal com uma baixa frequência retangular podemos fazer com que a largura dos pulsos corresponda à largura das barras, e a separação dos pulsos à separação entre as barras. Para esta finalidade, no nosso projeto usamos um circuito integrado 4093 no setor de modulação.

A primeira porta do 4093 (Ou) é ligada como um oscilador de baixa frequência, onde C1 e os demais componentes associados (P1, P2, R1, R2, D1 e D2) influem na frequência do sinal. Neste circuito, C1 carrega-se através de D1, P1 e R1 quando a saída da porta está no nível alto, e descarrega-se por D2, P2 e R2 quando a saída está no nível baixo.

Desta forma, atuando sobre a carga e descarga de C1, por meio dos potenciômetros P1 e P2, podemos controlar tanto a largura como a separação dos pulsos, e consequentemente das barras.

O sinal obtido deste oscilador é amplificado digitalmente nas outras três portas do circuito integrado, que funcionam como buffer (isolador) e amplificador digital. Temos antão condições de usar o sinal para modular o oscilador de alta frequência que tem por base o transistor Q1.

L1 e CV neste circuito determinam a frequência do sinal, que está calculada para ficar entre os canais 2 e 4. A potência deste oscilador é suficientemente alta para que o sinal seja irradiado até o televisor, não havendo, pois, necessidade de antena ou conexões.

É claro que uma vareta de metal ou fio ligado no coletor de Q1 aumenta o alcance, mas como o aparelho pode ser usado ao lado do televisor não há necessidade disso. Uma antena seria interessante se formos usar o aparelho para ajustar antenas num telhado, caso em que ele pode ficar no chão, como mostra a figura 3.

 


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Nestas condições ele serviria de referência para a direção de onde vêm os sinais de uma estação, quando o ajuste tiver que ser feito em horário em que ela se encontre fora do ar.

O consumo do aparelho é baixo, de modo que podemos usar pilhas comuns ou bateria com boa autonomia. É claro que na bancada também pode ser usada fonte, mas ela deve ter boa filtragem para que não ocorram ondulações nas barras geradas.

 

 

MONTAGEM

Na figura 4 temos o diagrama completo do aparelho.

 


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A disposição dos componentes numa placa de circuito impresso é mostrada na figura 5. Para o circuito integrado podemos usar um soquete DIL de 14 pinos. A bobina L1 consta de 5 ou 6 espiras de fio 22 AWG esmaltado ou comum, ou mesmo mais fino, com diâmetro de 1 cm sem núcleo.

O trimmer CV é de 3-30 pF ou próximo disso, já que podemos compensar os ajustes com alteração do número de voltas da bobina.

C1 pode ser cerâmico ou de poliéster.

Os demais capacitores devem ser preferivelmente cerâmicos. Os resistores são de 1/8 a 1/4 W, e D1, D2 admitem equivalentes. P1 e P2 são potenciômetros lineares ou log comuns, e S1 é um interruptor simples. Para a alimentação podemos usar suporte de 4 pilhas ou um conector de bateria, conforme opção do usuário.

O conjunto pode ser instalado numa caixa plástica. Não use caixa metálica, pois o sinal é irradiado pela bobina e, com uma caixa servindo de blindagem, não haveria sua propagação até o televisor.

 


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PROVA E USO

Ligue o televisor num canal desocupado entre 2 e 4 (eventualmente até o 5).

Ligue o gerador e ajuste CV para que o seu sinal seja captado.

Se não conseguir, verifique se não está nos canais mais altos.

Se isso ocorrer, enrole uma bobina com mais espiras. Feita a sintonia, atue sobre PI e P2 para verificar a largura e separação das barras. Se quiser barras mais juntas e mais estreitas, diminua o valor de C1.

Valores até 4,7 nF podem ser experimentados sem problemas. Após a comprovação do funcionamento, você pode usar o gerador para ajustar linearidade e altura.

 

 


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Na figura 6 temos um exemplo de televisor com problemas de linearidade. Identifique o ajuste de linearidade do televisor e faça com que a separação das barras fique uniforme em toda a tela, sem curvas ou outros efeitos de distorção. Na figura 7 temos um televisor com problema de altura. Atuando sobre o controle de altura (ajuste) devemos obter uma imagem com separação uniforme das barras preenchendo toda a tela. Os dois ajustes normalmente são dependentes, de modo que fazendo um devemos retocar o outro.

 


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Estes ajustes são necessários quando substituímos componentes críticos nos estágios de deflexão de um televisor.

 

 

 

 

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