Os componentes que usamos em nossas montagens têm valores que são dados por códigos e apresentam determinados comportamentos nos aparelhos em que são usados. Se os valores estiverem errados ou se os componentes estiverem com defeitos, podem ocorrer falhas de funcionamento e todo projeto será comprometido.

Descreveremos em nossa sequência de montagens a construção de um simples provador de componentes que pode ser feito com pouco gasto e que será de grande utilidade. As provas que daremos a seguir e que permitem saber se os componentes estão bons ou não, valem tanto para o instrumento descrito como para multi metros comuns que existem à venda no comércio especializado, quando usados em sua escala de resistências (DC ohms). (figura 1)

 


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As provas que damos a seguir não permitem determinar todas as características dos componentes principais, mas dizem se o componente está ou não em condições de ser usado.

 

 

PROVANDO COMPONENTES

 

As provas que realizaremos referem-se à comprovação de continuidade ou à medida de resistência em que forçamos a passagem de uma corrente pelo componente. Se a passagem ocorrer do modo previsto então o componente pode ser considerado bom. Se não ocorrer do modo previsto, o que será indicado pelo instrumento, então o componente será considerado ruim.

As condições em que a prova é realizada são muito importantes:

O componente deve preferivelmente estar com um dos terminais desligado do aparelho, se fizer parte de uma montagem.

O aparelho em que se encontrar o componente testado deve estar desligado.

Nunca devemos conectar o componente ou o provador na rede de alimentação.

O instrumento de prova deve ser ajustado antes da prova (ajuste de zero).

Vamos então aos componentes.

 

 

a) Resistores

 

Para provar os resistores basta medir sua resistência. Para isso, encostamos as pontas de prova do instrumento nos terminais do componente conforme mostra a figura 2.

 


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O valor da resistência deve ser lido na escala do instrumento. Com o instrumento que descrevemos a montagem (Provador/medidor de componentes – neste livro) podemos medir resistências de até 470 k com certa precisão, mas os tipos existentes no comércio alcançam 10 M (10 000 000 de ohms) ou mais.

Os códigos que aparecem nos resistores dados pelas faixas coloridas são lidos da seguinte maneira:

a) As duas primeiras faixas coloridas dão os dois primeiros algarismos da resistência. Ex: marrom, vermelho : 1 e 2 ou 12.

b) A terceira faixa dá o multiplicador ou número de zeros que devemos acrescentar aos dois primeiros números para obter a resistência. Ex: laranja 000 ou x 1 000.

Para um resistor cujas cores sejam marrom, vermelho e laranja, temos então 12 seguidos de 000 ou 12000 ohms, lembrando que “milhares de ohms podem ser abreviados por "quilo-ohms" ou “k". Assim, 12 000 ohms é o mesmo que 12k.

Do mesmo modo milhões de ohms podem ser escritos com “mega" ou M.

A tabela de cores é a seguinte.

 


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O quarto anel, quando existe, dá a tolerância do componente, ou seja, a diferença entre o valor marcado e o valor real tolerado. Este quarto anel se for prateado indica 10% e se dourado 5%. A ausência do anel indica uma tolerância de 20%.

Pegue alguns resistores aproveitados de velhos aparelhos e confira seus valores com o provador.

b) Capacitores

A prova de capacitores é mais complicada do que a de resistores, devendo ser separada em dois grupos.

1 - Cerâmicos ou de poliéster (estes, nas montagens que descrevemos, em sua maioria são intercambiáveis, ou seja, podemos usar um ou outro, de mesmo valor).

Com valores até 470 nF podemos apenas saber se ele está em curto.

Encostando as pontas de prova do instrumento nos terminais do capacitor, o ponteiro não deve marcar zero ou baixa resistência, mas sim ficar totalmente para a esquerda (resistência máxima). (figura 3)

 


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Se o ponteiro for até o fim da escala (resistência zero) o capacitor está em curto e não pode ser usado. Infelizmente, se o capacitor estiver “aberto" que é uma forma de defeito, esta prova não pode revelar isso.

 

2 - Capacitores eletrolíticos

Encostando as pontas de prova em eletrolíticos a partir de 1 uF, ocorre a sua carga. O ponteiro do instrumento move-se então rapidamente para a direita (tanto mais quanto maior for o valor do capacitor) mas em seguida volta ao inicio da escala (infinito). Invertendo o capacitor e repetindo a prova deve ocorrer o mesmo. (figura 4)

 


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Se nada acontecer o capacitor está aberto, e se o ponteiro for até o fim da escala e não voltar, o capacitor está em curto, não devendo ser usado.

 

 

c) Potenciômetros e trimpots

 

Encostando as pontas de prova nos terminais extremos do potenciômetro ou trimpot o instrumento deve marcar a sua resistência. Se for um potenciômetro de 1ok devemos ler 1ok no instrumento independentemente da posição do seu eixo. (figura 5)

 


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Se encostarmos uma ponta de prova no terminal extremo e outra no terminal do meio a leitura vai depender da posição do eixo. Girando o eixo de um extremo a outro de seu curso, devemos ler desde zero ohm até o máximo, que é o valor do componente (10 k, por exemplo), de forma contínua.

Se a leitura interromper com um salto da agulha do instrumento, ou se a leitura for de resistência infinita é porque o componente está aberto, não devendo ser usado.

 

 

d) Bobinas e transformadores

 

As bobinas e os enrolamentos dos transformadores devem apresentar baixa resistência à corrente, ou seja, continuidade.

Se encostarmos as pontas de prova do instrumentos nos extremos de uma bobina ou nas pontas dos enrolamentos de um transformador deveremos ler baixa resistência, normalmente abaixo de 1k. (figura 6)

 


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Valores muito altos, ou a leitura de infinito (nenhuma corrente) indica que a bobina está interrompida ou ”aberta".

Obs.: uma bobina em curto, ou transformador em curto, infelizmente não pode ser verificado por esta prova.

 

 

e) Diodos

 

Diodos de uso geral como os 1N914, 1N34, 1N60, 1N4148 ou então diodos retificadores como os 1N4001, 1N4002, 1N4004, 1N4007, BY127 podem ser provados com o procedimento indicado. (figura 7)

 


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A prova é feita em duas etapas.

1 – Primeiramente, ligamos a ponta vermelho ao anodo e a preta no catodo (lado da faixa).

Devemos ler uma baixa resistência, ou seja, o ponteiro deve ir quase todo para a direita.

2 - Em seguida invertemos a posição do diodo, ligando a ponta vermelha do lado da faixa. A agulha do instrumento não deve mexer, indicando uma resistência muito alta.

Se nas duas provas a agulha do instrumento for até o fim, indicando resistência baixa, o diodo está em curto. Se nas duas provas a agulha não mexer, o diodo está aberto. Nos dois casos ele não deve ser usado.

Se, na segunda prova for marcada uma pequena corrente (resistência alta) acima de 300 k, então o diodo tem certa fuga. Se for usado em fontes essa pequena fuga não tem problemas, mas não deve ser usado em aplicações mais críticas.

 

 

f) LEDs

 

A prova de LEDs é semelhante a dos diodos, sendo feita em duas etapas. (figura 8)

 


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Na primeira ligamos a ponta vermelha no anodo e a preta no catodo. O catodo corresponde ao terminal mais curto ou lado chanfrado.

O instrumento deve marcar uma baixa resistência, ou seja, o ponteiro deve ir quase até o fim da escala.

Na segunda invertemos o LED, ligando a ponta vermelha do lado chanfrado ou terminal mais curto. 0 ponteiro do instrumento não deve mexer.

Se mexer nas duas provas ou se não mexer em nenhuma, o LED se encontra defeituoso, não devendo ser usado.

 

 

g) Transistores

 

Conforme os leitores já devem ter percebido, existem dois tipos de transistores que usamos em nossas montagens. As diferenças estão na polaridade, ou seja, na circulação da corrente. Estes são os NPN e os PNP.

Dentre os NPN temos os BC237, BC238, BC547, BC548, BF494, BD135, TIP31, BD137, 2N3055.

Dentre os PNP temos os BC307, BC308, BC557, BC558, BD136, BD138, TlP32.

As provas são feitas de modos diferentes, devendo antes o leitor identificar os terminais de coletor (C), emissor (E) e base (B).

Estes são dados na figura 9 para os transistores indicados acima.

Vamos então à prova:

a) NPN

 


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Indicações diferentes da prevista indicam transistor com defeito.

Lembramos que entendemos por baixa resistência, aquela em que a agulha do instrumento vai toda para a direita, enquanto a alta resistência indica que a agulha praticamente não sai do lugar.

Informamos aos leitores que as provas de outros componentes como SCRs, alto-falantes, fusíveis, transistores unijunção, diodos zener, etc. serão abordadas no próximo número.

 

 

 

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