Esta é uma estória que envolve dois outros personagens, que não são Beto e Cleto e que criei em 1964, mas que foi atualizada para que eles substituíssem os originais. Sempre gostei de escrever, e as estórias de ficção me despertavam especial interesse. Na revista americana Popular Electronics havia dois personagens que protagonizavam aventuras no mundo da eletrônica desde 1948 e eu os acompanhava desde o início de minha carreira. Suas estórias é que me deram inspiração para criar depois de muitos anos o Prof. Ventura, Beto e Cleto. Escrevi diversas estórias com Juca e Chico que eram dos nomes da versão brasileira já que John T. Frye, o criador americano tinha como personagem Carl e Jerry, dois técnicos de TV. A que apresento é de 1965, mas tenho algumas de até antes e que agora recupero. A estória aqui reproduzo, inspirada na série original e usando os nomes dos personagens traduzidos na época pela versão brasileira, Juca e Chico, foram transferidos para os nossos bem conhecidos Beto e Cleto. Ela é uma verdadeira aula de eletrônica e eletricidade mostrando que eu já sabia como fazer muitas coisas que só depois com a série McGyver se tornaram populares. O prof. Ventura não aparece nesta estória que lembra a tecnologia da época que saiu com o nome “O bebunzômetro”. A data é 29 de janeiro de 1964.
🌅 O dia estava ótimo para um passeio, era um sábado e, na verdade, quase ninguém estava em casa a não ser os dois amigos, Beto e Cleto, enfurnados no porão que servia de oficina, nem sequer notando a presença do sol.
Ora, se os dois, com tal tempo, estavam no porão e não no campo, ou na beira do rio, era porque algum projeto muito importante estava em andamento. E, os vizinhos sabiam disso, principalmente pelo ruído que costumavam emitir durante a montagem, usando suas ferramentas.
De fato, lá estavam os dois trabalhando na bancada, ocupados com a montagem de um novo projeto, com o qual certamente “abafariam” na festinha da vizinha aniversariante daquela noite.
Beto soldava e montava as peças, ao mesmo tempo em que Cleto, acompanhava a montagem conferindo pelo diagrama.
Depois de algum tempo, ficou pronto o aparelho. Beto exclamou vitorios:
- Está pronto! O equilibrômetro!
Não seria esse o único nome com que a estranha caixa, apoiada sobre um disco de madeira sobre a bancada seria batizada.
O equilibrômetro, uma variação do esquadro eletrônico, publicado numa revista Eletrônica Popular, era um teste eletrônico para determinar o equilíbrio das pessoas.
Baseado no comportamento de alguém ao tentar endireitar um quadro numa parede, orientando-se pelo ambiente, nem todos, principalmente em um ambiente parcialmente escurecido, conseguem fazer a operação apropriadamente. Pessoas inseguras, com problemas de equilíbrio, não conseguem.
O elemento sensível, ou sensor, era um potenciômetro tendo fixado no eixo um quadro que justamente deveria ser endireitado. O potenciômetro acionava um pequeno indicador do tipo de ferro móvel com o zero no centro da escala.
O teste era simples. Consistia em se endireitar o quadro de modo a ficar em harmonia com o ambiente. A escala indicaria qual o erro cometido, sendo calibrada com valores que eram associados a uma tabela que, durante o teste ficaria tampada.
Beto já estava preparando a tabela, quando algo veio à mente de Cleto.
- E se a pessoa estiver meia “alta”? Quer dizer, se tiver bebido um pouco além da conta, certamente não colocará o quadro na posição certa.
Beto pensou um pouco. Teve então uma segunda ideia que alterava o projeto.
- Já sei! Vamos mudar o nome do aparelho. Tive uma ideia espetacular.! Vou até tirar uma patente.
- Calma! – interrompeu Cleto – Acho que sua válvula osciladora entrou em ação.
- Não é nada disso! – continuou Beto, procurando explicar. – Se uma pessoa tomar uma bebida a mais e tentar colocar o quadro na posição certa, podemos ter uma escala que diz quanto ela está alterada.
- Um bafômetro! – exclamou Cleto. - Sim, mas sem a necessidade de soprar nada. Você quer dizer que este aparelho poderia ser usado para determinar o nível de bebida do testado.
- Exato! Mudaremos até o nome: “bebunzometro”, já que vamos usar em brincadeira.
Chico não resistiu ao nome, caindo na gargalhada.
- Essa é boa! Bebunzômetro!... Até que ficaria bem um aparelho com esse nome.
Beto gostou, mas imediatamente voltou a cuidar da montagem do aparelho.
Cleo o auxiliou, até que algumas horas depois surgiu o novo e estranho dispositivo que na sua aparência externa ainda era quase o mesmo.
Além do potenciômetro havia uma chave interruptora que acionava o dispositivo para fazer a leitura. O potenciômetro estava ligado a uma ponte que tinha por indicador de nulo um oscilador de áudio.
Os dois amigos não foram os primeiros a chegar, mas suas presenças, sem dúvida, causou uma certa atração.
Cleto carregava o enorme aparelho, em mesmo tempo em que Beto segurava o cabo de alimentação. Depois de cumprimentar as pessoas, Beto e Cleto foram a um canto da sala onde havia um prego, previamente colocado a seu pedido.
Ao pendurarem o aparelho, o murmúrio e o riso tomaram conta do ambiente. Cleto havia colado no aparelho um enorme letreiro com a palavra “bebunzômetro”.
O nome era atrativo, de maneira que logo todos os rodearam. Os dois, logo em seguida, arranjaram uma vítima. Carlinhos, um dos que faziam parte da turma, pedindo para que ele endireitasse o quadro.
Um deles, cuidou de apagar a luz principal, ficando o ambiente iluminado apenas por uma pequena lâmpada, presa ao próprio aparelho.
Quando Carlinhos disse que tinha concluído a tarefa, acenderam a luz e Beto aciona o botão para visualizar o resultado. O oscilador entrou em funcionamento e uma lâmpada vermelha com uma alusão engraçada acendeu. Todos riram, e o amigo testado, que tendo um bom senso de humor, riu também.
Naturalmente, todos sabiam que o aparelho não detectava exatamente a situação de cada um, mas a verdade é que Beto e Cleto foram a sensação da festa.















