Uma caixa eletrônica de controle para a temperatura e funcionamento de seu ferro de soldar que o mantém sempre pronto para o trabalho e que permite com muito mais facilidade a obtenção da solda perfeita. Um acessório que de modo algum pode faltar à sua bancada.
Não é exagero dizer que 50% do sucesso na montagem de qualquer aparelho eletrônico depende da maneira como as soldas são feitas. Muito mais do que um simples meio de prender um componente em posição de funcionamento, a solda serve também como conexão elétrica e em muitos casos como conexão térmica.
Uma solda imperfeita pode influir de muitos modos no funcionamento de um aparelho, chegando mesmo a inutilizar componentes.
A solda fria, por exemplo, impede a passagem das correntes, agindo como uma verdadeira “resistência" no circuito; a solda exageradamente volumosa pode levar ao aparecimento de capacitâncias parasitas que afetam o funcionamento do circuito e até mesmo pode ser a causa de curto-circuitos.
Para a realização de uma solda perfeita (figura 1) não entra em jogo somente a habilidade do montador mas também a qualidade das ferramentas e o seu preparo conveniente.
A habilidade do soldador se manifesta na dosagem correta da solda, no manuseio do soldador e das peças, na limpeza e preparação do local de solda e no posicionamento dos componentes.
A qualidade das ferramentas se manifesta na sua escolha segundo a potência exigida para cada trabalho, na temperatura e no formato da ponta.
É, no entanto, o terceiro item que em especial nos interessa neste artigo: o preparo conveniente da ferramenta de soldar.
Para a realização de uma solda perfeita um soldador convencional que aparece na figura 2 precisa ser aquecido de 5 a 10 minutos antes de ser usado.
Sua ponta deve ser convenientemente estanhada antes de cada soldagem.
A necessidade de ligação do soldador pelo menos 5 minutos antes de ser usado, a necessidade do mesmo ser mantido ligado, mesmo quando não o usamos continuamente para se manter quente, são aborrecimentos que procuraremos eliminar com a nossa central de soldas.
O que propomos então aos leitores é um aparelho onde será ligado seu ferro de soldar ou seus ferros e que permite um controle todo especial de seu funcionamento.
A central possuí dois controles que permitem duas condições com indicação visual de funcionamento: na primeira posição que é a de espera, o soldador se mantém aquecido porém não à toda potência, sendo então levado rapidamente a temperatura normal quando dele precisarmos.
Nesta posição o ferro se mantém quente, mas com economia de energia e menor desgaste para o mesmo.
Na segunda posição aplica-se toda potência ao ferro quando ele é levado a sua temperatura normal de funcionamento, podendo então ser usado normalmente (figura 3).
O aparelho possui duas lâmpadas indicadoras para mostrar em que condição o ferro está funcionando, e a nossa sugestão de montagem prevê uma cômoda caixa que serve de repouso para esta ferramenta.
Os componentes usados na realização deste projeto são comuns não havendo qualquer dificuldade para o principiante montá-lo.
COMO FUNCIONA
Basicamente este controle consiste num “dimmer" de duas posições, ou seja, um circuito que pode aplicar duas potências ao soldador dependendo da posição da sua chave de controle.
Neste circuito são incluídos dois indicadores luminosos, ou seja, lâmpadas que permitem que o montador saiba em que condição está o ferro.
Na figura 4 temos então o diagrama básico do dimmer que, conforme o leitor pode ver consiste simplesmente num diodo semicondutor e num interruptor simples.
O funcionamento deste dimmer é o seguinte:
A corrente alternada da rede de alimentação é constituída por semiciclos positivos e negativos que circulam pela resistência do ferro de soldar aquecendo-o, em funcionamento normal.
Os diodos semicondutores são componentes que apresentam a propriedade de conduzir a corrente num único sentido.
Isso quer dizer que se forem ligados em série com a “resistência" de um ferro de soldar e todo o conjunto for alimentado por corrente alternada da rede, somente metade dos semiciclos conseguirá passar.
O ferro receberá então metade da potência normal de aquecimento mantendo-se, portanto, aquecido a uma temperatura mais baixa.
No nosso circuito, uma chave é ligada em paralelo com o diodo de modo que, quando ela estiver aberta a corrente passa através do díodo e o ferro é aquecido somente com metade da potência, sendo esta a posição de espera.
Com a chave fechada o ferro recebe a alimentação normal já que a corrente não passa mais pelo diodo.
O funcionamento dos dispositivos indicadores é igualmente interessante: tratam-se de duas lâmpadas de 5 W com tensão conforme a sua rede, ou seja, 110 V ou 220 V.
Na figura 5 temos então a maneira de se fazer a ligação destas lâmpadas.
Uma é ligada em paralelo com o primeiro diodo, acendendo então quando a chave se encontra aberta Esta lâmpada aproveita a corrente que polariza o diodo inversamente e que passa pelo soldador.
Como a lâmpada é de muito baixa potência ela não representa uma passagem de corrente suficiente para alterar a temperatura do soldador de modo sensível na posição de espera.
A outra lâmpada é ligada em série com um diodo, e ambos em paralelo com o ferro de soldar.
Com a chave aberta, o primeiro diodo fornece semiciclos de um tipo só ao soldador que é justamente o tipo de semiciclo que não passa pelo segundo diodo em vista de sua posição.
Com a chave fechada, a primeira lâmpada é colocada em curto, apagando e a segunda passa a acender com metade dos semiciclos que conseguem passar pelo diodo D2.
Veja que estes diodos são importantes no projeto devendo suportar a corrente do soldador e a tensão da rede. Para a rede de 110 V, com a possibilidade de alimentar ferros de até 100 W o leitor pode usar o 1N4004 e para a rede de 220 V com a possibilidade de alimentar ferros de até 200 W o leitor pode usar o BY127 ou o 1N4007.
MONTAGEM
O circuito completo da central de solda é mostrado na figura 6.
A disposição dos componentes na caixa é mostrada na figura 7, observando-se que, pelo seu número reduzido não há necessidade de placa de circuito impresso.
Veja que o interruptor S1 e S2 são do tipo para embutir na parede sendo um usado para ligar e desligar o aparelho e o outro para selecionar as funções.
A tomada onde será ligado o soldador é do tipo de embutir também havendo inclusive a possibilidade de ter para esta S1 e S2 uma peça única.
A caixa que é de madeira tem as dimensões mostradas na figura 8.
O descanso para o soldador pode ser feito de metal conforme dimensões mostradas na mesma figura. Veja que, de preferência deve ser usada madeira grossa e pesada para a confecção da caixa para se garantir uma estabilidade de apoio para o ferro.
Na montagem são os seguintes os principais cuidados que o leitor deve ter:
a) Para montar os diodos semicondutores .observe bem sua polaridade que é dada pelo símbolo gravado em seu invólucro ou então pelo anel no mesmo.
b) Os fios de ligação entre os componentes internos devem ser os mais curtos possíveis e todos de capa plástica flexível.
c) As lâmpadas indicadoras são montadas em soquetes embutidos devendo ser preferidas as lâmpadas pequenas que possam com facilidade ser instaladas em seu interior.
Terminada a montagem antes de fazer a ligação da central na tomada confira todas as ligações. Veja se não existem fios em curto e se nenhum ponto vivo do circuito encosta no suporte de metal onde se apoia o soldador.
Estando tudo em ordem você pode experimentar o aparelho, ligando-o à rede de alimentação.
LISTA DE MATERIAL
D1, D2 - diodos 1N4004 ou 1N4007 - ver texto
S1, S2 - interruptores simples
P1 - tomada para o ferro
L1, L2 – Lâmpadas incandescentes de 5 W conforme a rede local
Diversos – fios, solda, caixa para a montagem parafusos, peça de metal para o apoio, etc.




















