Quando surgiu o rádio, muitos disseram que o livro iria acabar. Quando surgiu a televisão, não foram poucos os que disseram que o rádio estaria com seus dias contados. Da mesma forma, com o advento do computador, o fim da TV já está sendo preconizado por muitos. É sempre assim, quando surge uma novidade tecnológica muitos, uma grande parte das pessoas acham que a que é substituída vai acabar, e isso não ocorre. O rádio continua aí, a TV também e o velho livro.

Mesmo agora com a chegada do livro eletrônico, iPad, muitos estão achando que o velho livro de papel e tinta que bem nos serve desde o tempo de Guttenberg está prestes a desaparecer.

É verdade que cada vez menos pessoas vão usar esta forma de livre, preferindo o digital, principalmente os que hoje são jovens e vão crescer utilizando-os.

É essa juventude que vai consumir no futuro o livro digital, deixando a forma tradicional para os mais velhos, como ocorre hoje com o rádio.

A tal ponto chega isso que posso dar como exemplo o uso do velho rádio AM, que pessoas como eu ainda curtem em determinados momentos. Gosto de ouvir os jogos de futebol no velho rádio AM. Num domingo à tarde, sentado num banco do jardim da casa de um parente, eu ouvia meu futebol no AM, quando um sobrinho de 5 anos de idade, olhando para o estranho objeto que falava , perguntou o que era e para que servia...

Acredito que daqui uns 20 anos, este mesmo sobrinho, lendo um livro na forma tradicional em poltrona vai ter de explicar para seu sobrinho já acostumado com o livro eletrônico, para que serve “aquele estranho objeto de papel”.

Mas, o importante de tudo isso, e que principalmente preocupa alguns confrades meus, escritores da Academia de Letras aqui de minha cidade, da qual faço parte, é que eles podem estar também com seus dias contados.

Conforme lhes expliquei, não importa o meio, mas sim o conteúdo e os bits que carregarão os textos nesses livros digitais, substituindo o papel e a tinta, conterão as mesmas idéias e com vantagens.

Os bits não envelhecem, podem ser transmitidos para qualquer parte do mundo e não ocupam espaço. As idéias, e é o que importa, estarão muito melhor preservadas do que na forma física.

Hoje, um escritor que não seja famoso, tem muitas dificuldades para divulgar seu trabalho. Em alguns casos, chega a pagar para a editora fazer seus livros, e depois ele mesmo sai com esses livros sob o braço tentando colocá-los nas livrarias que são relutantes em aceitar.

De fato, um livro ocupa espaço numa prateleira de uma loja e esse espaço custa dinheiro. Se o livro não vende logo, o livreiro tem prejuízo. Um estudo mostra que um livro numa prateleira consume 50% de seu valor em 6 meses. Se depois desse tempo o livro for vendido, o livreiro já tem prejuízo.

E os livros não vendidos são perdidos. Depois de certo tempo, já não se sabe mais o que fazer com eles. Indo para os sebos, eles podem até ter um destino pior que é a destruição para aproveitamento do papel.

Com o livro na forma digital nada disso ocorre. O autor simplesmente envia os originais para o editor que, colocando-o na forma digital o disponibiliza para venda através dos canais apropriados.

Não havendo suporte físico, o livro pode ser muito mais barato. Um livro que na forma física custa entre 40 e 100 reais, tem seu preço entre 5 e 20 reais na forma digital.

Além disso, ele não ocupa espaço. Um computador de um distribuidor pode conter milhares de livros, ocupando um espaço mínimo. E, os bits não envelhecem.

O livro de um autor ficará disponível para sempre no catálogo daquele vendedor. Alguém poderá comprar em 2050 um livro feito em 2011. Não existirá mais a palavra “esgotado” no mercado editorial.

E, com a digitalização de obras antigas, será possível comprar a Bíblia de Guttenberg em sua forma original, sem problemas.

Muitos se queixam que o formato do livro digital é incômodo para a leitura, o que pode hoje ser uma verdade, principalmente para quem está acostumado com a forma tradicional de papel e tinta. É verdade.

Talvez esse fato faça com que ainda tenhamos uma divisão do que é melhor ser lido num livro digital e do que é melhor ser lido num livro de papel e tinta.

Os textos de consulta, artigos pequenos, notícias, informações, catálogos, etc. serão mais recomendados para o formato digital. Enquanto que um romance, um livro de estudos, talvez ainda seja melhor na forma física.

Mas, existe um fato interessante a ser considerado: o transporte. Um leitor de livro digital, hoje já é tão pequeno e leve como um livro comum, mas ele tem uma vantagem. No mesmo tamanho de um livro, ele comporta uma biblioteca inteira.

Você poderá levar a qualquer parte sua biblioteca ou sua coleção de livros de consulta, mais de 500 exemplares, sem problemas!

Imagine uma situação, que não está longe de ser comum com a chegada neste mês de maio de 2011 do livro digital em nosso país.

Você está em sua casa, longe de qualquer livraria, numa tarde de fim de semana e deseja ler um bom livro, ou ainda uma revista ou jornal do dia ou de um dia qualquer que traga informações sobre determinado assunto.

Você liga seu livro eletrônico conectado à internet, e digitando um nome de autor, um título ou assunto, descobre que existe um livro que lhe chama a atenção e que custa apenas R$ 7,00.

Você se interessa e clica em “comprar”. Neste ponto você terá muitas opções interessantes. Além do cartão de crédito que hoje é comum, existe a opção deste valor ser somado à sua conta de conexão à internet. Se você tem uma conexão pré-paga, com um cartão que você carrega com créditos, esse valor é subtraído de seus créditos.

Uma vez completada a transação o livro é transferido para o seu leitor, imediatamente e você pode lê-lo. Veja que este fato, faz com que você deixe de ter um mercado local para seu livro, ou ainda muito restrito, e passe a ter um mercado mundial. É a globalização tão temida, mas que pode ter seus aspectos positivos.

Aquele brasileiro que está hoje trabalhando na China e que encontrou seu livro num catálogo eletrônico, pode comprá-lo com a mesma facilidade com que seu vizinho o faz.

Os autores têm o receio de que este livro na forma digital esteja sujeito à pirataria com a difusão de cópias de forma indiscriminada, mas isso não ocorre. Os arquivos no formato enviado estão presos ao leitor digital que não pode transferi-lo para outras mídias ou enviar cópias.

Na verdade, uma única cópia pode ser baixada novamente se você perder a sua, por um defeito de seu leitor ou ainda se você o perder. Mas, uma vez que você transfira esta nova cópia para seu aparelho, por vias eletrônicas, a cópia anterior será desabilitada.

E, não existindo custos nem de impressão e nem de armazenamento, o que o autor ganha é muito mais. Num livro comum, os direitos do autor variam entre 5 e 15%. Num livro digital, estes direitos ficam entre 30% e 50%.

Na China, onde o poder aquisitivo da população ainda não chegou a um ponto de que comprar um livro seja algo que todos podem fazer com facilidade, uma modalidade de comércio muito interessante foi encontrada com chegada do leitor eletrônico.

Pode-se comprar um livro “por capítulos”. Em lugar de comprar livro de 10 capítulos por R$ 10,00, posso adquirir um capítulo de cada vez por R$ 1,00.

Enfim, uma realidade precisamos nos acostumar e que nós do meio eletrônico precisamos ir além. Vamos logo aproveitar as possibilidades que o livro eletrônico nos oferece, criando produtos que certamente servirão para ajudar aqueles que nos acompanha. Não só livros já esgotados como novos títulos e cursos já estão sendo estudados por nossa editora, que é um dos ramos de atividade do Instituto Newton C. Braga Ltda.

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