Resistores (ALM436)

A presença de uma resistência elétrica num circuito nem sempre é desejável, pois significa uma perda de energia que se converte em calor.

No entanto, existem casos em que é preciso agregar uma resistência ao circuito justamente com a finalidade de se reduzir a intensidade de uma corrente ou diminuir a tensão.

Assim, encontramos nos circuitos eletrônicos componentes denominados resistores que têm justamente por função oferecer uma certa resistência à passagem da corrente.

O tipo de resistor mais comum é resistor fixo que é feito de algum tipo de material que seja mau condutor ou ainda que seja moldado de modo a apresentar uma certa resistência.

A resistência é medida em Ω (() e os resistores encontrados nos equipamentos eletrônicos podem ter diversos tamanhos com resistência que podem variar entre fração de ohm e milhões de Ω.

 

Símbolo e Tipos

Na figura 1 mostramos os símbolos usados para representar os resistores fixos. Observe que temos o símbolo encontrados em diagramas de origem americana e símbolos adotados na Europa.

 


 

 

O tipo mais comum de resistor é o de carbono ou película metálica que tem baixa dissipação.

A dissipação é a capacidade que um resistor tem de converter energia em calor.

Quando um resistor está operando, energia elétrica é convertida em calor e ele tende a se aquecer.

Se ele não for capaz de transferir o calor gerado para o meio ambiente sua temperatura pode subir demais e ele "queima".

Para as dissipações elevadas são usados os resistores de fio os quais são formados por fios de nicromo enrolados numa base de porcelana.

Os resistores de baixa potência podem dissipar calor numa faixa de potência de 1/8 a 2 W enquanto que os de fio podem ter dissipações na faixa de 5 a 200 W.

Observe que a capacidade de dissipação de um componente é medida em "Watts" (W).

Os resistores de carbono são ruidosos diferentemente dos de película metálica.

O ruído elétrico gerado por resistores de carbono pode aparecer como "chiado" num circuito de som.

 

Especificações

Quando usando, trocando ou testando resistores também precisamos conhecer suas especificações. As principais são:

 

* Valor

O valor de um resistor é dado pela sua resistência em Ω. Para os tipos maiores, de fio por exemplo, o seu tamanho permite que seu valor seja gravado diretamente no seu corpo.

No entanto, para os tipos de baixa dissipação, dadas suas reduzidas dimensões é adotado um código universal de marcação de valores através de faixas coloridas.

Esse código, que também pode ser usado para especificar valores de outros tipos de componentes é mostrado na tabela. Veja também Código de Cores (179).

 


 

 

Cor Valores Significativos (1a e 2a Faixas) Multiplicador (3a Faixa) Tolerância (4a Faixa) Coeficiente de temperatura (ppm/oC)
Preto 0 1 - -
Marrom 1 10 1% 100
Vermelho 2 100 2% 50
Laranja 3 1 000 - 15
Amarelo 4 10 000 - 25
Verde 5 100 000 0,5% -
Azul 6 1 000 000 0,25% 10
Violeta 7 10 000 000 0,1% 5
Cinza 8 100 000 000 0,05% -
Branco 9 1 000 000 000 - 1
Dourado - 0.1 5% -
Prateado - 0.01 10% -

 

Observações:

- Se o resistor tiver três faixas, a tolerância será assumida como 20%

- Se o resistor tiver 3 ou 4 faixas o coeficiente de temperatura não será indicado.

 

Exemplo de leitura: um resistor tem as faixas indicadoras de valor da extremidade para o centro na seguinte sequência: vermelho, violeta, laranja e prateado.

As duas primeiras faixas formam o valor 27.

A terceira faixa o fator de multiplicação ou número de zeros que é 3 (000).

Assim, o valor do resistor é 27 000 Ω ou 27 k Ω. A quarta faixa indica a tolerância que é de 10%.

 

* Dissipação

O tamanho e o material de que é feito o resistor determinam a quantidade de calor que ele pode transferir para o meio ambiente sem se queimar.

Com base na aplicação a que se destinam, podemos encontrar resistores com diferentes capacidades de dissipação ou potência.

Os pequenos resistores de filme metálico e carbono são encontrados tipicamente em dissipações de 1/8 (0,125) a 2 W, enquanto que os resistores de fio de maior dissipação são encontrados tipicamente em dissipações entre 5 W e mais de 200 W.

A figura 2 mostra resistores de carbono comparados em função da dissipação.

 


 

 

Os menores disponíveis são os de 1/8 W (0,125 W) enquanto que os maiores são de 2 W.

 

* Tolerância

É impossível fabricar um resistor com um valor exato de resistência.

Também devemos considerar que isso não é necessário na maioria das aplicações práticas, já que os circuitos são projetados para operar numa certa faixa de correntes e tensões.

Isso significa que é tolerada uma certa variação nos valores dos componentes, o que justamente é chamado de tolerância.

Os resistores comuns podem ser encontrados numa faixa de tolerância que vai de 1% a 20%. Um resistor de 1000 Ω x 10% pode, na realidade ter valores entre 900 e 1100 Ω.

Concluímos que é não é necessário fabricar resistores de 950 Ω, pois um de 1000 Ω com 10% de tolerância vai abranger provavelmente este valor.

Os resistores, por este motivo, são fabricados em poucos valores, formando séries que são determinadas pela tolerância. Na tabela a seguir temos as duas séries mais comuns com tolerâncias de 10% e 10%.

 

Série E-6 de 20% Série E-12 de 10%
10 10
  12
15 15
  18
22 22
  27
33 33
  39
47 47
  56
68 68
  82
100 100

 

Na prática podemos então encontrar resistores de 10, 150, 330, 33000, 4700, 68 000 ou 1 000 000 Ω com 20% ou 10% de tolerância.

Um resistor de 56 Ω, certamente será de 10% de tolerância assim como um de 8200 Ω.

 

Onde os resistores são usados

Os resistores são os mais comuns de todos os componentes eletrônicos sendo encontrados em praticamente todos os equipamentos eletrônicos e em alguns casos em grandes quantidades.

A finalidade básica dos resistores e alterar correntes e tensões de modo a se adaptar as características dos diversos componentes ativos de um circuito.

 

Como testar

Quando percorridos por corrente excessiva os resistores aquecem e acabam por queimar.

Podemos perceber que um resistor está queimado por fica escurecido e até mesmo deformado.

No entanto, os resistores também podem ter sua resistência alterada sem que se note isso por uma simples observação visual.

Para testar um resistor, o melhor é usar um multímetro que é um instrumento que, entre outras coisas, mede resistência.

Podemos medir a resistência de um resistor suspeito e verificar se ela confere com o valor que o componente deve apresentar. Na figura 3 mostramos como usar o multímetro no teste de um resistor (no livro Instrumentação - Multímetro) ensinamos passo a passo como escolher as escalas e fazer a leitura das escalas.

 


 

 

Lembre-se, ao medir o valor de um resistor, em considerar a sua tolerância.

Também é importante sempre testar os resistores fora dos circuitos em que eles estão para que o próprio circuito não tenha sua resistência medida.

 

Como Obter

Os resistores de valores comuns (tolerâncias de 5, 10 e 20%) e dissipações na faixa de 1/8 a 2 W podem ser obtidos com facilidade na maioria dos fornecedores de material eletrônico.

Também podem ser obtidos de equipamentos fora de uso desde que não apresentem sinais de queima ou sobrecarga.

Um teste para conferir o valor, antes de usar, sempre é conveniente.

Para resistores de tolerâncias muito baixas 1 e 2% a obtenção já é mais difícil, assim como os de alta capacidade de dissipação (acima de 20 W).

 

Ver também:

* Resistência elétrica

* Resistores variáveis

* Resistividade 

* Resistores SMD 

* E6, E12, E24

* Efeito Joule

* Lei de Ohm 

* Associações de resistores

* Código de cores


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