Olhando para o passado (AST033)

Este é um dos meus muitos artigos que escrevi quando era muito jovem e colaborava com diversos jornais e revistas da época, a maioria de pequena importância, como o jornal de meu bairro, da minha escola e eventualmente alguns boletins de entidades com que colaborava. Este artigo, de astronomia, foi escrito em 4 de março de 1968, mas os conceitos básicos que ele abordou ainda são atuais. Fiz pequenas alterações, apenas para adaptar melhor ao estilo atual.

Que maravilha seria, se pudéssemos nos deslocar no temo. Indo para o passado, veríamos as grandes navegações, o Império Romano, as civilizações antigas, os antigos egípcios construindo suas pirâmides. E, avançando ainda mais os controles de nossa máquina no máximo, poderíamos chegar ao homem das cavernas, e até mesmo a formação da terra.

A máquina do tempo, sonhada por muitos, tem sido a musa que inspira muitos escritores de ficção e cientistas de nosso tempo. Um detalhe, por incrível que possa parecer, foi esquecido: nós já temos aqui a nossa máquina do tempo, no nosso próprio corpo, e o passado para ser observado se encontra exatamente sobre nossas cabeças.

O passado é o universo e a máquina do tempo é a nossa visão. Nossos próprios olhos.

Na terra, para nós, partículas tão insignificantes na imensidão do universo, as medidas básicas são tomadas diretamente através de distâncias: quando, por exemplo, medimos profundidades, distâncias, alturas, levamos em consideração apenas distâncias. No universo é diferente.

O universo admite, ou melhor, exige, uma segunda grande para estabelecer suas características: o tempo.

Quanto mais distante estiver um astro, ou qualquer outro corpo no espaço, mais no passado o veremos, isso devido à lentidão relativa com que a luz se propaga.

Assim, a luz emitida pelo sol, que resulta na sua imagem quando o observamos precisa de pouco mais de 8 minutos para chegar até nós. Isso significa que vemos o sol, não como ele é agora, mas sim, 8 minutos atrás.

Passados próximos para astros próximos, mas o universo é imenso. Já se conhece astros tão distantes, que nasceram há bilhões de anos passados, evoluíram e desaparecerem e sua luz não chegou até nós ainda. Esse astro não existe mais, e nós ainda não o vimos nascer.

Para que se tenha uma ideia da imensidão do universo e das enormes distâncias que separam os astros basta olhar numa noite estrelada e identificar a estrela mais próximas de nós, Alfa Centauri.

Esta estrela está há pouco mais de 4 anos luz de nós, o que significa que a luz demora esse tempo para chegar até nós. Assim, quando a observamos, estamos vendo como ela era a mais de 4 anos atrás (*).

As estrelas estão distribuídas pelo universo em gigantescos enxames espiralados, denominados galáxias. Cada um contém centenas de bilhões de estremas como o sol, e trilhões de outros astros como planetas, asteroides, cometas etc

Para que se tenha uma ideia de suas dimensões, a nossa galáxia, conhecida como Via Láctea tem 100 000 anos de diâmetro. Estamos num braço externo dessa galáxia e quando apontamos nosso telescópio para uma estrela na outra extremidade, estamos vendo esta estrela quase 100 000 anos no passo.

E, se observamos a nossa galáxia vizinha. Andrômeda, que contém muitos bilhões de estrelas, estamos vendo-a a perto de 1 milhão de anos atrás, pois esse é o tempo que sua luz demora para chegar até aqui. (**)

Assim, quando olhamos para o céu, usando nossos olhos sem nenhum equipamento, quando usamos um binóculo ou um telescópio, nada mais estamos fazendo do que olhar para o passado.

Se alguém, de um povo alienígena, lá em Andrômeda tivesse um telescópio suficiente potente e apontasse para cá e encontrasse o sol, poderia aumentar a potência de seu equipamento e observar a pequenina terra.

Aproximando mais, ele veria os nossos mares, rios, montanhas e continentes. Não! Ele não veria nenhum sinal de cidades ou da presença do homem. Não veria estradas, navios cortando os mares. A paisagem que ele veria seria bem diferente.

O homem ainda era uma criatura que vivia nas cavernas, caçando ainda algumas espécies de animais extintos hoje, como os mamutes e os tigres dente de sabre. Eles também nos veriam no passado.

 

 

(*) Tem se falado muito na mídia que a estrela Betelgeuse da constelação de Orion, uma gigante vermelha estaria se aproximado do sim de sua vida, contraindo-se para depois explodir numa supernova. Esta estrela está a 642,5 anos luz de nós. Se nos próximos dias a virmos explodindo, aumentando milhares de vezes seu brilho, não é porque isso ocorreu agora, mas sim há 642,5 anos atrás.

(**) As distâncias indicadas sofreram pequenas alterações desde a época em que escrevi este artigo. A criação de equipamentos mais precisos possibilitou a realização de medidas mais precisas.

 


Opinião

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Nosso grande destaque deste mês é o nossa Jornada do Desenvolvimento, que ocorrerá em três etapas sendo a primeira a que foi realizada entre 9 e 13 de agosto. Ela foi uma preparação para as demais que devem ocorrer em setembro e outubro, com oficinas de desenvolvimento com o Edukit SigFox e a Franzininho, numa jornada com os próprios criadores.

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