As estrelas que não vemos (AST028)

Este é um dos muitos artigos que escrevi quando ainda não tinha meu foco maior na eletrônica (*). Nele trato da observação astronômica, com considerações sobre a observação de astros e estrela a partir da terra. O artigo foi escrito em 4/5/1967.

Ao olharmos para o céu numa noite limpa sem lua, apesar da miríade de estrelas que bruxuleiam diante de nossos olhos, elas não são todas as que existem, nem na nossa galáxia e nem no universo que podem enviar sua luz até a terra em jornadas que podem durar de desde alguns anos até milhares ou milhões deles.

Se bem que o espaço seja um vácuo quase perfeito de modo que a luz não encontra muitos obstáculos para chegar até nós, ao entrar na atmosfera as coisas mudam. Nem sempre ela consegue chegar até nós, no solo muitos quilômetros abaixo.

A camada gasosa que envolve a terra age como um obstáculo para a propagação da luz, deixando passar apenas a que vem de astros mais potentes ou próximos, por isso o que vemos no céu é apenas uma parcela muito pequena de todas as estrelas. A poeira em suspensão, os gases poluentes das grandes cidades, as cinzas dos vulcões são como um manto que oculta das nossas vistas todo o esplendor do céu (**).

É justamente devido a esse problema que os grandes observatórios astronômicos são construídos em lugares elevados, de modo que apenas uma camada fina de ar os separe do vácuo do espaço exterior.

Como a poeira e as cinzas não conseguem atingir alturas elevadas, na maioria dos casos, o ar é muito mais transparente e um número elevado de astros que se tornam visíveis é muito mais.

Nas grandes cidades, dificilmente poderíamos a olho nu observar algumas galáxias próximas como a nuvem de Magalhães, Alfa Centauri e outras. No entanto, no campo, onde nem as luzes, nem a poeira e nem a fumaça interferem na nossa visão, podemos ver milhares de estrelas mais fracas, nebulosas e até mesmo galáxias distantes.

Estrelas de grandezas menores que 5 podem ser vistas e sua quantidade cresce exponencialmente à medida que sejam mais fracas. É claro que podemos ter uma visão perfeita se formos diretamente ao espaço.

Com essa finalidade é que recentemente (***) foi colocado em órbita um observatório astronômico cuja finalidade é obter imagens nítidas dos mais remotos corpos do universo, sem a distorção causada pela atmosfera.

Fora do manto gasosos que envolve a terra, as estrelas podem ser vistas de uma maneira muito diferente da que estamos acostumados. Vistas do espaço, as estrelas não “psicam”, pois esse piscar ou cintilação é justamente devido à movimentação ou turbulência do ar da atmosfera.

No espaço, as estrelas aparecem como pontos ou esféricos dependendo do tamanho e distância (gigantes vermelhas próximas com grandes telescópios podem ser vistas como objetos esféricos) sem piscar.

Apesar de tudo, mesmo no espaço existem alguns obstáculos para a propagação da luz emitida pelas estrelas. São nuvens gigantescas de hidrogênio e de poeira que podem bloquear a luz.

Ao olharmos esses gases ou nuvens de poeira tudo o que teremos é uma sombra (como a Nebulosa conhecida como Saco de Carvão) como uma nuvem luminosa, iluminada pelas estrelas em seu interior.

Não podemos ir ainda ao espaço para admirar um céu com uma infinidade de estrelas que não piscam e nuvens de gases claras ou escuras, mas isso ainda vai ocorrer (****)

 

Artigo Publicado em 1967

 

(*) Quando muito jovem, eu ainda não estava completamente sobre a carreira a seguir. Ela se balançava entre a eletrônica, astronomia e a física. Se bem que acabei tendo minha principal atividade na eletrônica, as outras duas ciências não foram abandonadas completamente. Tanto que mantemos esta seção de astronomia em nosso site. Assim, nos anos 60 e 70 escrevi muitos artigos sobre astronomia, publicados desde o jornal da minha escola, até em periódicos de que já tratei na minha biografia. Tenho todos os originais destes artigos que estou colocando a disposição no meu site, tanto pelo valor histórico como pelas informações que contém, que ainda são válidas. Fiz pequenas alterações nos textos quando encontrei alguns pontos que mudaram desde então ou conceitos que hoje são tratados de forma diferente.

(**) Ainda temos a possibilidade de contemplar o céu nos locais afastados numa noite sem nuvens e sem lua em que vemos uma infinidade de astros e estrelas que não podem ser vistos nas grandes cidades, ocultos pela poluição e pela luz.

(***) Lembre-se que o artigo é de 1967. O autor se referiu ao OAO (Oribital Astronomic Observatory).

(****) Evidentemente, na época que foi escrito, as viagens espaciais ainda eram um sonho e não havia ainda a possibilidade de se ter um “turismo espacial”. No entanto, no ano em que recupero este artigo (2020) estamos muito próximos disso.

 


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