As pilhas de seu radinho, gravador, toca-discos ou lanterna não estão durando o que você espera? Seus gastos com pilhas estão sendo excessivos? Prolongue a vida de suas pilhas economizando dinheiro com este aparelho que as faz rejuvenescer quando aparentemente se encontram totalmente esgotadas.

As pilhas secas comuns, como as que você usa em seu radinho, uma vez gastas não podem ser recarregadas.

Seu funcionamento baseia-se na ocorrência de reações químicas irreversíveis em seu interior que, consumindo certas substâncias, liberam a eletricidade que ela pode fornecer ao aparelho que alimenta.

Quando você compra uma pilha nova ela vem com certa carga, representada pela quantidade de substância ativa que pode reagir e fornecer energia ao aparelho que você pretende alimentar.

Esta energia manifesta-se na forma de uma tensão entre seus polos a qual deve ser mantida pela maior parte da vida útil da pilha.

Entretanto, conforme mostra o gráfico da figura 1, a tensão de uma pilha sofre variações durante sua vida útil caindo até um valor em que não mais pode ser admitido para uma aplicação prática.

 

Figura 1 – Vida útil de uma pilha
Figura 1 – Vida útil de uma pilha | Clique na imagem para ampliar |

 

 

A durabilidade da pilha, ou seja, por quanto tempo ela pode fornecer energia depende do consumo de corrente do aparelho, daí existirem pilhas de diversos tipos e tamanhos conforme as exigências de energia do aparelho que deve ser alimentado.

Quando uma pilha trabalha “com folga” fornecendo uma corrente relativamente pequena, ou bem abaixo de sua capacidade máxima, as reações que liberam energia ocorrem normalmente e assim pode-se dizer que sua durabilidade é normal.

Mas, se uma pilha trabalha nos seus limites fornecendo correntes elevadas como ocorre em gravadores, brinquedos com motores e lanternas cujo consumo é elevado, as reações podem ser forçadas ocorrendo então uma queda de fornecimento de energia ou "cansaço" mesmo que a pilha não esteja totalmente esgotada.

O problema em questão é devido normalmente à formação de bolhas de hidrogênio no interior da pilha que devem ser absorvidas por uma substância "despolarizante".

Se a substância não dá conta da absorção as bolhas se acumulam e há uma sensível queda no fornecimento de energia.

Existe uma crença de que em se colocando uma pilha gasta no congelador de uma geladeira ela “carrega-se" podendo então funcionar mais algum tempo num radinho, gravador ou lanterna.

O que ocorre neste caso não é propriamente uma recarga e nem ao menos uma ação do frio sobre o funcionamento da pilha. O que funciona no caso é o “descanso" da pilha que dá tempo para que as substâncias químicas existentes em seu interior se recomponham para fornecer um pouco mais de energia.

Colocando as pilhas na geladeira ou não é, na realidade, o tempo de descanso que tem uma ação rejuvenescedora (figura 2).

 

Figura 2 – Pilhas na geladeira. Resolve?
Figura 2 – Pilhas na geladeira. Resolve? | Clique na imagem para ampliar |

 

 

Uma maneira de se conseguir um “pouco mais” de energia de uma pilha ativando o que resta de suas substâncias químicas é aquecendo-a em banho-maria.

Coloque a pilha no final de vida em água quente por 2 ou 3 minutos e depois deixe-a esfriar completamente antes de usar.

O aquecimento pode "reativar" um pouco a pilha fazendo-a funcionar por mais algum tempo em seu rádio, gravador ou lanterna. (figura 3).

 

Figura 3 – Reativando a pilha
Figura 3 – Reativando a pilha | Clique na imagem para ampliar |

 

 

Veja o leitor que estes procedimentos que damos são válidos apenas para as pilhas secas. As pilhas alcalinas não admitem nem aquecimento nem a recarga direta podendo em alguns casos até explodir!

Mas, será que existe um meio de se fazer uma recarga, rejuvenescimento ou qualquer outra coisa com uma pilha no sentido de se obter mais dela com recursos eletrônicos?

As reações no interior da pilha podem ser reativadas e até mesmo prolongadas por meio de uma excitação elétrica. Como isso pode ser feito e o aparelho para se conseguir maior vida para suas pilhas é explicado a seguir.

 

 

UM REJUVENESCEDOR ELETRÔNICO

 

Um acumulador comum como o usado no carro pode ser recarregado pela passagem de uma corrente em sentido contrário ao de seu fornecimento conforme mostra a figura 4.

 

Figura 4 – Carregando uma bateria (acumulador) automotivo
Figura 4 – Carregando uma bateria (acumulador) automotivo | Clique na imagem para ampliar |

 

 

Basta então ligar a este acumulador uma fonte de corrente contínua conforme mostra a figura 5 e fazer circular uma corrente de intensidade controlada a qual determinará o tempo de recarga.

 

Figura 5 – Um carregador simples de bateria
Figura 5 – Um carregador simples de bateria | Clique na imagem para ampliar |

 

 

Este é o princípio de funcionamento dos carregadores de bateria que vemos nas oficinas autoelétricas.

No nosso caso, a ligação de uma fonte de alimentação do modo indicado numa pilha não resulta na sua recarga porque a reação que ocorre em seu interior não é reversível.

No entanto, a circulação de uma corrente nestas condições pode provocar uma reativação das substâncias existentes no seu interior e com isso um prolongamento de sua vida útil.

É justamente neste princípio que se baseia o nosso "rejuvenescedor eletrônico de pilhas".

Temos então um transformador que reduz a tensão da rede para um valor compatível com a corrente contínua que devemos aplicar às pilhas, um retificador e duas chaves: uma que comuta a velocidade de carga e a outra que permite provar as pilhas em teste.

Na figura 6 temos um diagrama de blocos para representar o aparelho.

 

Figura 6 – Diagrama de blocos do aparelho
Figura 6 – Diagrama de blocos do aparelho | Clique na imagem para ampliar |

 

 

 

O MATERIAL

 

A parte básica da montagem, transformador e retificadores não oferece dificuldades de obtenção pois são componentes comuns em nosso mercado.

O transformador tem um enrolamento primário de acordo com a rede local, ou seja, 110 V ou 220 V, e um enrolamento secundário de 6 + 6 V com corrente de pelo menos 350 mA.

Os diodos usados são do tipo para uma tensão mínima de 50 V e corrente a partir de 1 A. Podem ser usados os diodos 1N4001, 1N4002, 1N4004 ou BY127.

Temos a seguir a chave de comutação de velocidade que no diagrama é do tipo 1 polo x 2 posições. Entretanto, o leitor pode encontrar com maior facilidade chaves de 2 polos x 2 posições e deixar um dos seus polos livres.

A chave de prova também é do tipo 2 x 2.

Temos a partir desta parte do projeto algumas opções para o leitor:

O rejuvenescedor pode ser feito para trabalhar com 2 ou 4 pilhas de cada vez conforme sua vontade.

Deve-se então ter no aparelho suportes para 2 ou 4 pilhas e estes devem ser do tipo para alojar duas ou quatro pilhas pequenas, médias ou grandes.

O modelo básico que descreveremos será para receber 2 pilhas, sendo usados dois suportes: um para pilhas pequenas e uma para pilhas grandes.

No caso de se montar o aparelho para carga de 2 pilhas a lâmpada de prova deve ser de 3 V sendo preferidos os tipos de 50 à 150 mA de corrente. Para 4 pilhas a lâmpada de prova deve ser de 6 V com as mesmas especificações anteriores de corrente.

Temos finalmente a caixa para a montagem que pode ser do tipo sugerido na figura 7 de madeira ou mesmo de metal.

 

Figura 7 – Sugestão de caixa
Figura 7 – Sugestão de caixa | Clique na imagem para ampliar |

 

 

Veja que os suportes das pilhas são montados na parte superior da caixa para maior, facilidade de operação.

 

 

MONTAGEM

 

As soldagens das conexões devem ser feitas com um ferro pequeno (máximo 30 W) e como ferramentas adicionais use um alicate de corte lateral, um alicate de ponta fina e chaves de fenda.

O circuito completo do rejuvenescedor é dado na figura 8.

 

Figura 8 - Circuito completo
Figura 8 - Circuito completo | Clique na imagem para ampliar |

 

 

Siga a figura 9 para fazer a sua montagem.

 

Figura 9 – aspecto da montagem
Figura 9 – aspecto da montagem | Clique na imagem para ampliar |

 

 

O procedimento básico para a realização da montagem é o seguinte:

De posse da caixa faça a furação para receber as chaves comutadoras para a lâmpada, para a passagem do cabo de alimentação e dos fios do suporte de pilhas.

- Fixe o transformador na caixa, observando a posição dos enrolamentos. O lado de alta tensão deve ficar voltado para o furo do cabo de alimentação.

- Fixe as barras de terminais para a soldagem dos terminais do transformador, o cabo de alimentação e os diodos.

- Fixe as chaves comutadoras, o suporte de pilhas e a lâmpada de prova.

- Faça a soldagem dos diodos .observando a sua polaridade dada pelo anel em seu corpo e dos resistores.

- Interligue os componentes da ponte com as chaves, a lâmpada e os suportes de pilha com fio flexível de capa plástica.

 

Obs.: se o leitor quiser pode acrescentar uma chave geral ao circuito intercalando-a entre o cabo de alimentação e o primário do transformador. Pode também ligar em paralelo com o secundário do transformador (entre o ponto de 6 V e a tomada central) uma lâmpada Philips 7121D para indicar que o aparelho se encontra ligado.

 

Terminada a montagem confira todas as ligações antes de fazer uso do aparelho.

 

 

PROVA E USO

 

Para saber se a parte retificadora está funcionando, basta colocar o circuito na posição de "carga lenta" e interligar com um fio os pontos A e B da figura 9

A lâmpada deve acender com seu brilho normal ou um pouco mais fraco.

Comprovado o funcionamento do carregador basta usá-lo. Para usar o provador nossas recomendações são as seguintes:

Para pilhas pequenas use sempre a posição de carga lenta e deixe as pilhas de 15 minutos à 1 hora para obter bons resultados. Se a pilha estiver excessivamente fraca o aparelho pode não conseguir fazer o rejuvenescimento.

Neste caso a solução é jogá-la fora.

Para pilhas médias e grandes você pode usar tanto a posição de carga rápida como lenta deixando-as de 15 minutos à 1 hora no aparelho.

Não carregue pilhas grandes e pequenas ao mesmo tempo. Observe a polaridade das pilhas ao colocá-las no suporte.

Não recarregue pilhas com sinais de vazamentos ou ferrugem.

Para provar pilhas, basta colocá-las no suporte e acionar a chave. O brilho da lâmpada dará uma ideia do seu estado.

Na recarga de 2 ou 4 pilhas é preciso observar que às vezes uma ou mais delas não pegam a carga em vista de seu adiantado estado de esgotamento.

Neste caso, o leitor pode fazer uma prova individual de estado usando uma lâmpada pingo d'água conforme mostra a figura 10.

 

Figura 10 – Teste individual
Figura 10 – Teste individual | Clique na imagem para ampliar |

 

 

Podemos dizer neste caso, que a prova individual das pilhas é muito melhor na determinação do rejuvenescimento e do estado em vista desta ser feita com o fornecimento de corrente.

 

 

Lista de Material

 

T1 - Transformador de alimentação com primário de acordo com a rede local e secundário de 6 + 6 V x 350 mA

D1, D2- diodos 1N4002 ou equivalente

R1 - Resistor de 47 ohms x 5 W

R2 - Resistor de 100 ohms x 5 W

S1, S2 - Chave de 2 polos x 2 posições

L1 - lâmpada de 3 ou 6 V (ver texto)

Diversos: caixa para a montagem', cabo de alimentação, supor;e para pilhas, suporte para lâmpada (optativo), fios, solda, ponte de terminais, etc.

 

 

 

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