Este interessante artigo, que ainda discute princípios e teorias válidas em nossos dias, foi escrito em 1967. Publiquei em um jornal local que tinha uma seção de tecnologia, com a qual eu colaborava. Não tenho a publicação, mas somente os originais manuscritos da época. Republico com algumas pequenas alterações e observações.

Nós, que estamos acostumados com a eletricidade como alto artificial, criado e domado pelo homem tornando-a um dos seus mais importantes auxiliares, nos esquecemos que ele não a inventou. Apenas descobriu-a o que que significa que, apesar de não a conhecermos por muito tempo, ela já vinha manifestando seus efeitos desde épocas tão remotas que mal conseguimos imaginar.

Naturalmente, ao pensarmos em eletricidade antes da chegada do homem a este mundo, a única coisa que pode vir à mente é a presença de descargas atmosféricas durantes as tempestades das épocas pré-históricas.

Mas, que influência poderiam ter essas faíscas elétricas, além da destruição de árvores, ou eventualmente atingir algum animal?

Na verdade, nenhum raio pode destruir uma montanha, modificar o relevo de forma apreciável, ou desviar o curso de um rio, por mais forte que seja. Sua influência, de fato existe, mas não pela força individual, mas sim pela quantidade.

Houve época em que os oceanos ainda não existiam, e toda sua água se encontrava na forma de vapor em nuvens turbilhonantes na nossa atmosfera. A temperatura era muito alta e a cada minuto, milhares de faíscas elétricas cortavam o espaço.

Foi nessa época que a eletricidade deu sua incrível contribuição para o aparecimento da vida, que é claro ainda não se manifestava naquele ambiente tão hostil.

Graças a sua ação catalizadora, muitos compostos químicos essenciais à vida foram criados, abrindo assim caminho para seu posterior aparecimento.

Quando finalmente os oceanos apareceram como furto da condensação dessas nuvens, pela queda da temperatura, a vida pode finalmente aparecer, pois os elementos básicos para sua criação, moléculas complexas já haviam sido criadas.

As faíscas elétricas da atmosfera turbulenta da terra, e que se mantém até hoje, talvez em menor intensidade, tiveram um papel importante no aparecimento da vida. Talvez, se não fosse sua presença, não estaríamos aqui agora.

Outra contribuição importante das faíscas elétricas, atuando por milhões de anos em nossa atmosfera, foi a criação do ozônio, que formando uma capa protetora, impedia que a radiação perigosa vinda do espaço, matasse as recém criadas, frágeis criaturas vivas.

Não sabemos muito sobre a influência da eletricidade na evolução das espécies mais complexas, até a chegada do homem, mas uma coisa é certa. Com sua ação destruidora, o homem pode colocar a perder aquilo que a natureza precisou de milhões de anos para construir.

Estamos destruindo a capa de ozona que nos protege dos ultravioletas assim como atuando sobre o clima. É preciso observar muito bem o que estamos fazendo com o nosso clima.

 

 

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