Minha vocação foi sempre a de professor. E para ensinar temos de começar do mais simples e também do mais atraente. Assim, projetos simples com direcionamento didático eram os meus preferidos. No meu tempo de início de carreira, lá pelos anos 60 e 70 não havia muito em termos de literatura tratando disso em eletrônica, assim as revistas técnicas eram a minha principal fonte de informações.
Já falei de diversas revistas nesta série de artigos Arqueologia e muitas delas tinham essa pegada como a que focalizo neste artigo. O próprio nome já sugere sua vocação didática Elementary Electronics ou Eletrônica Elementar.
Tenho muitos exemplares desta revista na minha coleção. Separei três para fazer este artigo. Estão na figura 1.

De origem norte americana, esta revista foi publicada de forma intermitente, com os períodos entre dois exemplares variando entre 1960 e 1981. No link dado no final do artigo você pode fazer o download da coleção completa para sua biblioteca. Era publicada pela Davis Publications de New York – NY.

Era impressa em cores preto, cinza e avermelhado em papel jornal para baixar o preço e assim, vender muitos exemplares. Concorria diretamente com outras publicações da época como a Popular Electronics até compartilhando os mesmos autores.
A pegada era simples. Projetos com poucos componentes baratos e muito fáceis de montar. Também havia artigos teóricos e informativos como a análise de produtos comerciais, e até um pequeno curso e eletricidade e eletrônica, um dos primeiros que me lembro nas páginas de uma revista.
O primeiro curso desse tipo no Brasil fui eu quem lançou nas páginas da revista Eletrônica Popular também nos anos 60. Não me lembro, mas talvez tenha me inspirado nessa revista para fazer o meu. Mas, fui além, pois utilizei pela primeira vez a Instrução Programada.

As chamadas de capa eram fantasiosas como se fazia naquela época, talvez atribuindo aos projetos qualidades que eles realmente não tinham.
Fique Radioativo não era algo que mexia com energia nuclear, conforme mostra a chamada de capa, mas uma chamada para artigos que tratavam com sinais de rádio como um transmissor de FM, um seguidor de sinais.
Os esquemas e as figuras eram relativamente simples, mas bem-feitos não deixando dúvidas para os que desejassem elaborar os projetos. Na figura 4 temos um exemplo de uma edição que temos em que aparece um
chapeado e um diagrama.

Observe que nos diagramas a simbologia era a americana e os valor dos componentes colocados juntos a cada um. A lista de materiais fazia parte do próprio diagrama o que facilitava a análise e a escolha do material.
Nem todos os componentes eram fáceis de obter. Essa revista assim como algumas outras usavam componentes específicos, às vezes vendidos por anunciantes apenas lá nos Estados Unidos ficando assim difícil a obtenção.
Eram módulos ou alguns componentes especiais que não tínhamos condições de obter aqui e assim, os projetos eram inviáveis servindo para mim apenas como ideia para elaborar algo semelhante com componentes discretos.
Na própria figura que tomamos como exemplo temos um desses módulos que deve ser adquirido segundo indicações dadas pela lista de materiais, normalmente feito na época apor telefone.
No link abaixo temos no acesso aos exemplares desta revista para os que desejam tê-la na sua coleção.
https://www.worldradiohistory.com/Elementary_Electronics_Master_Page.htm















