Provavelmente muitos leitores possuem em casa um rádio antigo, do tipo que usa válvulas, abandonado. Muitos destes rádios possuem grande sensibilidade e faixas de ondas curtas bastante ampliadas com capacidade para captar estações com facilidade; sua recuperação certamente será uma experiência compensadora.
Nota: Este artigo foi publicado na revista Eletrônica Total 2 de 1988.
Colocar para funcionar um velho rádio de válvulas pode significar para o praticante da eletrônica muito mais do que ter música na sua bancada. Além da possibilidade de captação de faixas de ondas curtas com a escuta de estações muito distantes, o receptor pode constituir-se num excelente instrumento de prova. De fato, muitos deles possuem entradas auxiliares para a ligação de um toca-discos que dão acesso aí? Amplificador de áudio, normalmente com potência variando entre 1 e 5 watts. Esta entrada pode ser usada normalmente tanto no teste de transdutores, como seguidor de sinais e outras aplicações semelhantes.
Na figura 1 temos um diagrama típico de rádio deste tipo.
O motivo de abandono de um rádio deste tipo pode ter as mais diversas origens. Se for apenas o caso de uma válvula queimada, um resistor ou um capacitor aberto, em curto ou com fugas, um transformador, ou mesmo o alto-falante, a recuperação pode ser feita com certa facilidade.
Se o caso for transformador de força, ou a falta de muitos componentes, então a recuperação pode não valer a pena. Verifique inicialmente se o rádio está com quase todos os componentes em seus lugares caso estejam, então pode valer a pena dar início à recuperação.
PROCEDIMENTO
Em primeiro lugar consiga um esquema do rádio. Para isso existem as seguintes possibilidades: uma delas é a Esquemateca Esbrel (Rua Vitória 273 — São Paulo) (Ativa na época em que o artigo foi escrito). Esta loja, mediante o fornecimento do modelo do rádio e marca, poderá lhe vender uma cópia de seu esquema.
Depois, verifique se todas as válvulas acendem (veja se o fusível de entrada, se existir, está bom). Se alguma válvula não acender, procure testá-la, inicialmente verificando a continuidade do filamento. (figura 2).
Se bem que visualmente possamos identificar os pinos que correspondem a este elemento, será importante ter um manual de válvulas. Se a válvula estiver ruim, troque-a. Em São Paulo, na Rua Santa Ifigênia existem diversas lojas que vendem válvulas de aparelhos antigos — uma das mais procuradas é a Valvolândia. (Ativa na época em que o artigo foi escrito)
Com todas as válvulas acesas, verifique se o +B está presente em todas as placas (anodos). As válvulas devem então ter tensões de placa presentes que variam entre 80 e 350 volts dependendo do aparelho. A falta desta tensão indica transformadores abertos ou resistores de polarização abertos.
Os capacitores de papel ou óleo que rádios antigos utilizam tendem a absorver umidade e deteriorar-se, apresentando fugas. Será interessante fazer a troca de todos por tipos mais modernos, corno poliéster e cerâmicos de mesmo valor, observando-se a tensão de trabalho.
No caso de transformadores de F1 enferrujados ou interrompidos ou então outros transformadores, reparação é possível, mas exige muito cuidado na emenda de fios. Com o rádio em funcionamento precário pode-se dar um retoque nos ajustes das Fls e também dos trimers das diversas faixas. Isso é feito com ajuda de um injetor ou gerador de sinais segundo procedimento normal (que se usa também em rádios modernos).
Outro problema que talvez exija uma troca de componente é a deterioração do alto-falante. Alguns tipos muito antigos utilizam a chamada "bobina de campo" (figura 3). Esta bobina é que cria o campo magnético para o funcionamento do alto-falante em lugar de um ímã permanente. A bobina é alimentada pela própria fonte, também servindo de filtro.

Se usarmos um alto-falante moderno em seu lugar, a bobina deve ser substituída pelo enrolamento primário de um transformador de alimentação de 6+6V a 12+12V x 500mA que terá seu secundário mantido desligado, conforme mostra a figura 4.

Transformadores de saída para rádios a válvulas ainda podem ser encontrados em algumas casas de componentes. Eles são adquiridos com a simples indicação de qual é a válvula que os excita, como por exemplo unia 6AQ5, 6V6 ou ainda 6L6. Ponha seu "museu" para funcionar, ligue uma boa antena externa e surpreenda-se com o que circuitos antigos podem fazer em matéria de sensibilidade!

















