As eleições estão chegando! Para ajudar os candidatos nas suas campanhas, descrevemos um equipamento indispensável, que lhes proporcionará maior facilidade na obtenção de grandes potências para seus equipamentos de som, melhor fidelidade de reprodução e a possibilidade de se utilizar dois ou mais microfones simultaneamente e ainda toca-discos, gravadores, etc. Simples de montar, pode ser acoplado a qualquer tipo de amplificador ou conjunto de amplificadores.

Obs. O artigo e de 1982.

Um dos problemas que enfrentam os que desejam grandes potências sonoras é o da excitação, a partir de uma única fonte, de diversos amplificadores.

Como ligar um microfone simultaneamente a um conjunto de amplificadores de modo a excitá-los convenientemente e obter o máximo de cada um?

Nesta época de eleições, em que se necessita de grandes potências sonoras, quer seja para comícios ou outros tipos de propaganda, o uso de um único amplificador não é suficiente.

Devem então ser usados simultaneamente dois ou mais amplificadores, cada qual alimentando um conjunto de alto-falantes ou cornetas, conforme sugere a figura 1.

 

Figura 1 – Composição do sistema
Figura 1 – Composição do sistema | Clique na imagem para ampliar |

 

 

O aparelho que descrevemos serve justamente para esta finalidade: excitar um conjunto de amplificadores com potência total e ainda permite misturar sinais de diversas fontes, tais como microfones, gravadores, toca-discos, etc.

Provendo uma boa amplificação para os sinais dos microfones, etc., o mixer-difusor pode excitar, sem perda de volume, uma quantidade quase ilimitada de amplificadores.

Os amplificadores, em número ilimitado, são ligados em saídas independentes do mixer-difusor, que não as carrega e que provê um sinal puro, de intensidade suficiente para se obter toda sua potência.

Facilidade de conexão de número ilimitado de amplificadores, excitação à plena potência e ainda controle para três entradas independentes, é o que o leitor pode obter com este conjunto.

Sua montagem é relativamente simples, já que apenas um circuito integrado é usado, e a sua alimentação pode vir de uma fonte de 12 V, bateria de 12 V ou ainda de pilhas comuns, se for desejada maior mobilidade.

 

COMO FUNCIONA

Conforme mostra o diagrama de blocos da figura 2, o que temos é um “misturador" de som, seguido de um pré-amplificador e amplificador de áudio, ao qual na saída coloca-se uma etapa “desmisturadora", ou melhor, “espalhadora" de som.

 

Figura 2 – Diagrama de blocos
Figura 2 – Diagrama de blocos | Clique na imagem para ampliar |

 

 

Analisemos cada uma das etapas.

A etapa misturadora é das mais simples, já que leva apenas componentes passivos.

Temos três entradas que passam por três potenciômetros que permitem "dosar" a quantidade de sinal de cada uma.

O ajuste das três entradas em seu nível, por estes potenciômetros, possibilita obter níveis de sons ideais, conforme o caso. Pode-se ter uma palestra com fundo musical ou ainda o funcionamento simultâneo de dois microfones numa eventual entrevista ou debate.

O circuito básico desta etapa misturadora é mostrado na figura 3.

 

Figura 3 – A etapa misturadora
Figura 3 – A etapa misturadora | Clique na imagem para ampliar |

 

 

Veja que os leitores que quiserem maior número de entradas podem perfeitamente ampliar este circuito.

A etapa pré-amplificadora e amplificadora utiliza um único circuito integrado TBA820S. Este circuito integrado consiste num pequeno amplificador de áudio de alta-fidelidade com bom ganho.

Isso significa que as pequenas intensidades de sinais, obtidas de microfones e outras fontes, podem ser ampliadas até adquirir um nível de alguns volts em uma carga de pequena resistência.

Veja o leitor que uma carga de pequena potência com tal tensão significa uma boa potência e, portanto, a possibilidade de se excitar diversos amplificadores sem perda de nível. (figura 4)

 

Figura 4 – A potência de saída
Figura 4 – A potência de saída | Clique na imagem para ampliar |

 

 

Assim, considerando a impedância de entrada de um amplificador comum da ordem de 100 000 ohms, e que no nosso caso temos uma carga de 10 ohms, vemos que, para reduzir à metade a intensidade do sinal disponível no nosso difusor, precisaríamos ligar 10 000 amplificadores na sua saída!

Evidentemente, a ligação de alguns amplificadores não causará qualquer perda na potência de excitação.

Obtemos então, na saída do circuito, um sinal de amplitude da ordem de até 1 ou 2 V, capaz de excitar sem problemas qualquer amplificador comum.

Esta saída é então multiplicada de modo a se poder ligar diversos amplificadores, conforme mostra a figura 5.

 

Figura 5 – Ligação dos amplificadores (as saídas)
Figura 5 – Ligação dos amplificadores (as saídas) | Clique na imagem para ampliar |

 

 

Os resistores são usados com a finalidade de evitar que um amplificador carregue o outro, ou que haja problemas de realimentações, principalmente se forem de tipos diferentes.

 

OS COMPONENTES

Todos os componentes usados na montagem são fáceis de se obter, inclusive o circuito integrado, de uso bastante comum.

A caixa para a montagem é a sugerida na figura 6.

 

Figura 6 – Sugestão de caixa
Figura 6 – Sugestão de caixa | Clique na imagem para ampliar |

 

 

Esta caixa prevê o uso de potenciômetros tipo “slide” ou deslizante, colocados na sua parte frontal, de modo a facilitar a “mixagem" do som das três entradas.

O quarto potenciômetro é para o ajuste de excitação, e deve ser colocado numa posição que depende da quantidade de amplificadores usados e de sua sensibilidade, de modo a não haver distorção.

Temos ainda o interruptor geral na parte frontal e os três jaques de entrada, de acordo com os microfones ou fontes de sinal usadas, isto é, toca-discos, gravador, microfones, etc.

Na parte traseira são instalados os jaques de saída, para facilitar sua conexão aos amplificadores, que deve ser feita com a ajuda de fios blindados.

Cabos preparados para esta finalidade devem estar disponíveis.

Com relação aos componentes eletrônicos, as seguintes observações devem ser feitas:

O circuito integrado sugerido é do tipo TBA820S, que é encontrado em invólucro DIL de 14 pinos. Um suporte para este componente é recomendável, mas não obrigatório.

Os potenciômetros, conforme dissemos, são do tipo slide, mas nada impede que potenciômetros lineares comuns para P1, P2 e P3 sejam usados, e para P4 um tipo Iog, com interruptor conjugado.

Os capacitores são de dois tipos. Os de pequeno valor podem ser cerâmicos e os de grande valor, eletrolíticos com uma tensão de trabalho de pelo menos 16 V.

Os resistores, com exceção de R3, são todos de 1/8 W com 10% ou 20% de tolerância. R3 é de 1 W ou 2 W com 10 ohms ou 15 ohms, conforme a tensão da fonte.

Para 6 V será usado um resistor de 10 ohms x 1 W e para 12 V um resistor de 15 ohms x 2 W.

Os jaques de entrada e saída dependem do tipo de cabo usado na conexão dos amplificadores e seus plugues, assim como dos microfones. Os jaques de microfones grandes são os recomendados, por permitirem obter melhor contacto, evitando-se assim os ruídos, falhas tão comuns nos sistemas de som deficientes.

Para a fonte de alimentação temos diversas opções.

Pode-se usar um suporte para 4 pilhas médias ou grandes, caso em que teremos a versão de 6 V, ou então ligar o conjunto numa bateria de 12 V, caso em que teremos esta tensão de alimentação.

Temos ainda a possibilidade de usar uma fonte, cujo diagrama é mostrado na figura 7.

 

Figura 7 – Sugestão de fonte
Figura 7 – Sugestão de fonte | Clique na imagem para ampliar |

 

 

O leitor precisará ainda de uma placa de circuito impresso de acordo com 0 modelo sugerido, a qual deve ser confeccionada com cuidado.

 

 

MONTAGEM

Para a montagem o leitor precisará, além das ferramentas comuns, de um soldador de pequena potência (máximo 30 W) ponta fina, solda de boa qualidade e, evidentemente, habilidade para sua execução.

Na figura 8 damos o circuito completo do mixer-difusor, com os componentes representados pelos seus símbolos e com seus valores.

 

Figura 8 – Circuito completo
Figura 8 – Circuito completo | Clique na imagem para ampliar |

 

 

Na figura 9 damos o modelo de placa de circuito impresso.

 

Figura 9 – Placa de circuito impresso
Figura 9 – Placa de circuito impresso | Clique na imagem para ampliar |

 

 

Alguns cuidados importantes são necessários para se obter uma boa montagem.

Por este motivo, sugerimos que o leitor tenha em mente a seguinte sequência de recomendações ao fazer a sua montagem.

a) Observe a posição do circuito integrado que é dada pela posição da meia lua ou marca que identifica o pino 1. Veja a placa.

Na soldagem do circuito integrado ou de seu suporte, tome cuidado para que não ocorram espalhamentos de solda que possam curto-circuitar os terminais.

Se isso acontecer, use um palito para a limpeza da solda ainda em fusão.

b) Na soldagem dos capacitores“ eletrolíticos deve ser observada sua polaridade, que é marcada no próprio invólucro. O montador deve obedecer a posição do polo (+) e (-) segundo mostra a placa.

c) Os demais capacitores não têm polaridade certa para colocação, mas seus valores devem ser observados. Seja rápido na soldagem dos capacitores cerâmicos.

d) Para os resistores também não é preciso observar a polaridade, Os seus valores serão dados pelas faixas coloridas segundo a lista de material. Seja rápido na sua soldagem.

e) Para a conexão dos potenciômetros alguns pontos importantes devem ser observados.

Use fio blindado se a conexão for longa, fazendo a ligação da malha à massa, ou seja, ao ponto que corresponda ao chassi ou polo negativo da fonte.

Veja também a ordem de ligação dos fios, para que ao deslocar o cursor no sentido de aumentar o volume, isso realmente aconteça. Se o potenciômetro atuar “ao contrário” basta trocar as ligações extremas.

f) Na soldagem dos jaques também deve ser observada a utilização de fio blindado com a malha conectada à massa, que preferivelmente deve ser comum às entradas e saídas. (figura 10)

 

Figura 10 – Usando o sistema
Figura 10 – Usando o sistema | Clique na imagem para ampliar |

 

 

g) O interruptor pode ser tanto conjugado ao potenciômetro P4, como independente. Na sua ligação deve-se utilizar fio vermelho para o polo positivo e preto para o negativo, se for usada fonte externa. Em caso do uso de pilhas, observe a polaridade do suporte. O suporte pode ser de 4 ou 8 pilhas médias ou grandes.

Complete a montagem com a fixação da placa de circuito impresso na caixa, utilizando para isso separadores, e com a colocação dos botões dos potenciômetros.

 

PROVA DE FUNCIONAMENTO

Para provar o aparelho tudo que o leitor precisa é de um microfone comum (cristal, piezoelelétrico, dinâmico ou outro tipo de média ou alta impedância). ou ainda de um gravador ou toca-fitas.

O amplificador ligado na saída pode ser de qualquer tipo usado em P.A. (Public Address).

O microfone ou outra fonte de sinal (gravador, toca-discos, etc.) será ligado numa das entradas (E1, E2 ou E3). Na saída (S1, S2, S3 ou qualquer outra) será ligado um cabo de conexão à entrada do amplificador utilizado.

Coloque o potenciômetro P4 e o correspondente à entrada do microfone, inicialmente no mínimo.

Abra o controle de volume do amplificador P.A. usado até aproximadamente metade.

A seguir, abra primeiro o potenciômetro de entrada até a metade de seu curso (P1, P2 ou outro) e gradativamente, ao mesmo tempo em que fala, vá abrindo P4.

O som deve ir aparecendo no alto-falante ou corneta. Você deve abrir P4.até o ponto em que se obtém o máximo volume sem distorção.

Se até o máximo, isso não acontecer, abra também P1, P2 ou o potenciômetro em que estiver ligado o microfone.

Se mesmo assim não for conseguido o máximo de potência é sinal que o microfone usado precisa de um pré-amplificador.

 

 

USO

 

Para usar o mixer-difusor, basta ligar em sua entrada as fontes de sinal que podem ser, como sugestão, dois microfones e um gravador.

Na saída serão ligadas as entradas de tantos amplificadores quantos sejam os usados no sistema de som. (figura 11)

 

Figura 11 – Ligações completas do equipamento
Figura 11 – Ligações completas do equipamento | Clique na imagem para ampliar |

 

 

Os controles são ajustados do seguinte modo:

a) Primeiramente fixe a posição máxima de P4 que permite obter o som de qualquer uma das três entradas no máximo volume sem distorção. r

b) Depois é só ajustar somente em P1, P2 e P3 os níveis de som que se deseja para cada entrada, conforme o momento de seu uso.

 

 

Lista de Material

 

CI-1 - TBA820S - circuito integrado (amplificador de áudio)

P1, P2, P3 ~ potenciômetros lineares slide de 100 k

P4 – 47 k - potenciômetro comum log com ou sem chave

C1, C2, C3, C8, CII - 100 nF – capacitores cerâmicos

C4, C5, C7, C10 - 100 uF x 16 V – capacitores eletrolíticos

C6 - 100 pF - capacitor cerâmico

C9 - 220 uF x 16 V - capacitor eletrolítico

R1 – 180 R x 1/8 W - resistor (marrom, cinza, marrom)

R2 – 56 R x 1/8 W - resistor (verde, azul, preto)

R3 – 10 R ou 15 R x 1 W - resistor (ver texto)

R4, R5, R6, Rn – 47 k x 1/8 W – resistores (amarelo, violeta, laranja)

S1 _ interruptor simples (conjugado à P4)

Diversos: jaques de entrada e de saída, placa de circuito impresso, caixa para a montagem, botões para os potenciômetros, fios, solda, cabos blindados, suporte de pilhas ou material para a fonte, etc.

 

 

 

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