Em artigos anteriores mostramos um sistema de rádio controle de um canal com o projeto completo do receptor. Neles, entretanto deixamos de lado o elo final deste sistema, o sistema de servos, relê ou acionadores para analisá-lo melhor agora. Veremos então como usar o receptor, como fazer a ligação de relês e outros dispositivos para que todo o conjunto possa funcionar harmoniosamente sem problemas.

Com seu transmissor e receptor funcionando perfeitamente, o que foi explicado em pormenores nos artigos deste site que tratam da montagem do sistema, o leitor pode então pensar em fazer a ligação dos dispositivos controlados.

Não há limite para a potência do aparelho que o leitor pode controlar com este sistema, pois sempre podemos usar dispositivos intermediários capazes disso.

Assim, com o pequeno sinal de seu transmissor que é da ordem de fração de watt você pode acionar desde a pequena lâmpada de prova de fração de watts também de potência, relês que controlarão lâmpadas e motores de alguns watts como os dos projetores de super-8 e slides, até motores de muitos cavalos de força ou holofotes cuja potência seja medida em quilowatts. (figura 1)

 

Figura 1 - Aplicação
Figura 1 - Aplicação | Clique na imagem para ampliar |

 

 

Dependendo da potência e do que se deseja do dispositivo a ser controlado o leitor deve utilizar diversas técnicas de elaboração do sistema final do radiocontrole monocanal que descrevemos, e neste artigo daremos algumas explicações de como proceder nos casos principais.

 

 

A) ACIONAMENTO SIMPLES DE PEQUENOS RELÊS

 

Este sem dúvida é o caso mais simples de controle remoto em que o nosso sistema monocanal pode ser usado. Nele, apenas um relê é utilizado, ligando alguma coisa quando pressionamos o interruptor do transmissor e desligando quando deixamos de pressionar.

O interruptor no transmissor funciona portanto como uma “extensão" do aparelho controlado sem fio (figura 2).

 

Figura 2 – Extensão de interruptor
Figura 2 – Extensão de interruptor | Clique na imagem para ampliar |

 

 

Com relês comuns, do tipo de baixo custo encontrados no comércio, pode-se controlar eficientemente correntes de até 2 ou 3 ampères o que significa que com 12 V temos uma potência de até 36 W equivalente portanto a uma lâmpada indicadora de automóvel, ou 330 W na rede de 110 V que significa uma potência de meio cavalo aproximadamente e 660 W que se aproxima de 1 HP na rede de 220 V.

Como ligar o relê e como fazer sua escolha para o nosso rádio controle?

O relê usado deve ser do tipo sensível capaz de fechar seus contatos com tensões de até 6 V (Veja que mesmo sendo a alimentação do circuito de 9 V, a tensão que chega realmente ao relê e que, portanto, é disponível para seu acionamento é menor), e com resistência de pelo menos 120 ohms.

Com esta resistência o relê não precisará de mais do que 50 mA para ser acionado o que está perfeitamente dentro da capacidade do circuito.

Se for usado um relê de menor resistência e que portanto precise de mais corrente, ou mesmo de maior tensão, o aparelho simplesmente não funcionará.

O relê Schrack ZA 020 006 e o ZK 020 006 podem ser usados neste circuito, sem problemas.

Na figura 3 mostramos então o modo como este relê deve ser ligado ao receptor de rádio controle, observando-se o diodo de proteção usado em paralelo com o seu enrolamento.

 

Figura 3 – Ligação do relé
Figura 3 – Ligação do relé | Clique na imagem para ampliar |

 

 

Este diodo pode ser de qualquer tipo de uso geral de silício como o 1N4001, 1N914, etc.

Quando a ligação do aparelho controlado ao relê o leitor também tem diversas opções, pois os componentes em questão possuem diversos jogos de contatos que podem ser usados com diversas finalidades.

Os relês possuem conjuntos de contatos independentes conforme o mostrado na figura 4.

 

Figura 4 – Os contatos de um relé
Figura 4 – Os contatos de um relé | Clique na imagem para ampliar |

 

 

Cada conjunto possui um modo de ligação “normalmente aberto" e “normalmente fechado", mostrados na Figura 5.

 

Figura 5 -  Usando os contatos
Figura 5 - Usando os contatos | Clique na imagem para ampliar |

 

 

Quando fazemos a ligação do modo normalmente aberto, 0 relê ao ser acionado, no nosso caso, ao receber o sinal do transmissor, liga o aparelho que está sendo controlado.

No modo "normalmente fechado" quando o relê é acionado ao receber o sinal do transmissor, ele desliga o aparelho que está sendo controlado.

Como um único relê pode ter diversos conjuntos de contatos você pode fazer ligações de modo que ao acionar o botão do interruptor, ao mesmo tempo que um ou mais aparelhos sejam ligados, um ou mais também sejam desligados.

Na falta de informações sobre quais pinos correspondem aos terminais normalmente abertos, normalmente fechados e comum, o leitor pode descobri-los com o circuito da figura 6.

 

Figura 6 – Descobrindo os contatos
Figura 6 – Descobrindo os contatos | Clique na imagem para ampliar |

 

 

Como possibilidade adicional de controle, para correntes menores, o leitor pode usar um reed-relê. Trata-se de um relê construído com um reed-switch, ou seja, um interruptor ,de lâminas em que uma bobina o envolve, conforme mostra a figura 7.

 

Figura 7 – Um reed relé
Figura 7 – Um reed relé | Clique na imagem para ampliar |

 

 

Enrolando-se de200 a 500 voltas de fio esmaltado fino (32 ou 34 AWG) o leitor pode ter a sensibilidade de acordo com o nosso receptor.

Infelizmente os reed-switches encontrados no comércio para aplicações comuns não admitem correntes de controle maiores do que 500 mA ou seja, não podem controlar uma carga de mais do que alguns watts com alimentação de 12 V, ou dessa ordem.

 

 

B) ACIONAMENTO TEMPORIZADO

 

Uma outra aplicação possível para este sistema de controle remoto é o acionamento temporizado. Basicamente este acionamento consiste no seguinte: quando apertamos o interruptor do transmissor momentaneamente o aparelho controlado liga ou desliga e assim permanece por um tempo determinado.

De modo a se obter um perfeito isolamento do circuito acionado em relação ao receptor, este sistema foi projetado basicamente para usar dois relês mas existem outras possibilidades.

Temos então na figura 8 o circuito completo em que o tempo em que o circuito de carga permanece desligado ou ligado e dado pelo capacitor eletrolítico C1.

 

Figura 8 – Acionamento temporizado
Figura 8 – Acionamento temporizado | Clique na imagem para ampliar |

 

 

Os relês usados devem ser do mesmo tipo, ou seja, com sensibilidade de pelo menos 50 mA para 6 V (faixa de 3 à 12 V) e o capacitor eletrolítico pode ter valores entre 10 uF a 2 200 uF.

O resistor R1 que também influi no tempo de acionamento terá seu valor de acordo com o relê usado, sendo que para o de 6 V x 50 mA ele deve ser 22 k.

Para menores sensibilidades deve-se diminuir o valor deste resistor e consequentemente o tempo de acionamento também será reduzido.

Para um capacitor de 1 000 uF o tempo que o relê permanecerá acionado será da ordem de 15 segundos (Este valor depende muito da qualidade do capacitor pelo que na prática, recomendamos que o leitor faça experiências prévias até obter os tempos desejados).

 

 

C) ACIONAMENTO TRAVADO

 

Neste tipo de acionamento o que ocorre é o seguinte: uma vez pressionado o interruptor do transmissor, mesmo que por alguns instantes, o relê fecha seus contatos e assim permanece por tempo indeterminado até que alguém venha desligá-lo, ou que a ação externa de algum dispositivo faça isso.

Na figura 9 temos então o modo como este comportamento é conseguido sendo o relê usado o mesmo das aplicações anteriores.

 

Figura 9 – Acionamento com trava
Figura 9 – Acionamento com trava | Clique na imagem para ampliar |

 

 

Este circuito funciona da seguinte maneira: com a aplicação do pulso do transmissor o receptor aciona o relê fechando seus contatos.

A partir deste instante, um par de contatos passa a fornecer alimentação diretamente da fonte de energia para a bobina do relê o que causa seu travamento, mesmo que a fonte externa de sinal seja desligada, no caso o transmissor.

Para desligar o relê é preciso então haver a interrupção da corrente da bateria para a bobina sendo então intercalado um interruptor do tipo normalmente fechado, ou seja, do tipo usado como botão de porta de geladeira.

E claro que este desligamento do relê pode ser feito de outros modos como, por exemplo, por meio de um segundo relê ligado a um temporizador, por um sistema manual, ou finalmente, por um ressalto de um motor ou servo que seja por ele acionado.

Esta última aplicação especificamente é empregada no caso de aberturas de portas de garagem, em que um ressalto no sistema de servo ou um interruptor de lâminas no próprio portão faz o desligamento do relê quando o sistema chegar o final de curso.

Assim, na abertura de uma porta de garagem basta dar um toque no transmissor e a porta abrirá totalmente desligando no final do curso do motor, conforme sugere a figura 10.

 

Figura 10 – Abertura automática de portas
Figura 10 – Abertura automática de portas | Clique na imagem para ampliar |

 

 

Veja que temos então dois contatos usados: um que desliga o relê do receptor e outro que controla a alimentação geral do motor para que este não dê nenhum tranco no final de curso caso um impulso de comando seja indevidamente produzido.

Veja que também pode ser acrescentado um par de contatos adicionais acionando um relê travado que fará a reversão do movimento do motor caso em que, ao final do curso, recebendo um pulso de comando o motor não mais girará no sentido de abrir o portão mas de fechá-lo fazendo então a operação até o final quando um novo sistema de contatos fará nova inversão.

A figura 11 dá uma ideia de como pode funcionar este sistema automático de abertura e fechamento também de portas.

 

Figura 11 – Sistema completo
Figura 11 – Sistema completo | Clique na imagem para ampliar |

 

 

 

D) ACIONAMENTO SEQUENCIAL

 

Na figura 12 damos uma sugestão para com um acionamento sequencial de diversos canais peio controle que descrevemos.

 

Figura 12 – Acionamento sequencial
Figura 12 – Acionamento sequencial | Clique na imagem para ampliar |

 

 

O relê no caso emite impulsos para um contador digital que fornece saídas para diversos relês ou mesmo SCRs. Para cada pulso enviado pelo transmissor o sinal passa de uma saída para a outra.

Assim, na situação inicial apenas o relê 1 se encontra ligado.

Ao receber o primeiro impulso de comando o relê fecha momentaneamente seus contatos enviando então um comando ao integrado. Este comando faz com que haja uma troca de estado fazendo com que o relê 1 desligue e ao mesmo tempo o relê 2 seja ligado. O relê 2 permanecerá ligado até que um novo pulso de comando seja enviado. Quando isso acontecer, ao mesmo tempo o relê 3 será ligado.

Esta sequência continuará a cada pulso do transmissor até que chegue ao último. Quando isso acontecer, o pulso que desliga o último, aciona o primeiro.

 

 

 

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