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Reparos em Rádios Transistorizados - II (SER417)

Em outro artigo desta série demos alguns defeitos simples de rádios transistorizados, que poderiam ser encontrados e reparados sem a necessidade de muito conhecimento, nem de instrumentos especiais. Sugerimos que estes reparos poderiam servir de ponto de partida para os leitores que desejassem se tornar futuros “técnicos" e com isso ganhar algum dinheiro, complementando seu salário ou mesmo contribuindo para manutenção de seu hobby que é a eletrônica.

Obs. Este artigo é de 1983.

 

Continuaremos agora com um passo além, pois muitos são os leitores que desejam um aperfeiçoamento cada vez maior na reparação de rádios.

Assim, neste artigo, falaremos da reparação já com alguns recursos adicionais que o leitor que pretende ter sua oficina deve contar, especificamente o injetor de sinais e o multímetro.

 

Reparos na etapa de saída de áudio

A parte final de todo receptor de rádio transistorizado é uma etapa de saída de áudio que pode apresentar diversas configurações, conforme o modelo e a época de sua fabricação.

Os tipos de defeitos que aparecem nestas etapas de saída e o procedimento para sua localização e reparação, evidentemente dependem das configurações.

Iniciamos então por analisar as configurações mais comuns e dar as “dicas" do que pode acontecer com cada uma e como descobrir.

Para a localização fácil dos defeitos o leitor poderá contar com dois recursos muito importantes que devem ser analisados “como investimento” para sua oficina (figura 1):

 

Figura 1 – O multímetro e o injetor de sinais
Figura 1 – O multímetro e o injetor de sinais

 

a) O multímetro.

b) O injetor de sinais.

 

1. Primeira configuração

A mais simples configuração de saída de áudio encontrada em rádios transistorizados é a que faz uso de apenas um transistor com transformador de saída, conforme mostra a figura 2.

 

Figura 2 – Etapa de áudio com transformador
Figura 2 – Etapa de áudio com transformador

 

Esta é uma etapa de saída em classe A.

Na figura 2 demos uma etapa típica deste tipo, com as tensões que são encontradas nos diversos pontos quando a alimentação do rádio é feita com 4 pilhas, ou seja, 6 V.

Estas tensões são medidas com o multímetro na escala mais baixa de tensão que permite a leitura dos valores indicados e conectando-se a ponta de prova preta à massa ou referência do radinho que é, no caso, o polo negativo do suporte das pilhas.

Observamos que existem alguns radinhos em que a referência é feita em relação ao positivo da fonte, ou seja, devemos ligar ao positivo da fonte a garra vermelha e medir nos pontos indicados com a ponta preta. (figura 3)

 

Figura 3 – Etapa com positivo à massa
Figura 3 – Etapa com positivo à massa

 

O leitor pode saber isso pelo diagrama do radinho, se este vier na parte traseira da caixa, conforme a bateria seja representada com o polo positivo ou negativo à massa. (figura 4)

 

Figura 4 – Indicação de massa
Figura 4 – Indicação de massa

 

O importante nas medidas é que:

Para negativo à massa:

a) A tensão de emissor do transistor deve ser bem alta, da mesma ordem quase ou alguns volts apenas mais baixa que a tensão de alimentação.

 

b) A tensão de base deve ser aproximadamente 0,2 V mais baixa que a tensão de emissor.

c) A tensão de coletor deve ser bem baixa, quase que zero volt, ou pouco mais em vista da resistência do transformador de saída.

Que tipo de anormalidades podem ocorrer verificadas pela tensão?

A tensão de base é igual à de emissor: neste caso o que temos é um transistor em curto, ou ainda pode haver interrupção do enrolamento secundário do transformador driver (T1).

A tensão de base é bem maior do que a de emissor: neste caso o transistor pode estar aberto.

As tensões de base e de emissor são anormalmente altas, muito mais altas do que a esperada no esquema: neste caso podemos suspeitar que o transformador se encontra aberto. Se a tensão de coletor também for alta isso estará confirmado.

Outro problema que pode acontecer com um radinho deste tipo é o excesso de consumo acompanhado de distorção do som.

Isso pode acontecer em vista de alteração de valor dos resistores de polarização de base. A redução do resistor de 1 k normalmente reduz o consumo e com cuidado o reparador pode chegar a um valor que também resulte em som sem distorção, sem afetar muito o volume.

Problemas com os capacitores normalmente tornam o som muito agudo ou grave, conforme o caso.

Os valores indicados em Ω para os transformadores indicam a resistência que devem apresentar quando testados com o multímetro. Estes valores, evidentemente, variam de rádio para rádio, mas fornecem uma indicação de ordem de grandeza aos leitores.

A falta de som num radinho que tenha esta etapa pode significar não só problemas com os componentes em si, como também com o alto-falante, que deve ser testado.

O injetor de sinais pode ser usado da seguinte maneira nesta etapa:

Injeta-se o sinal na base do transistor, ligando-se o terminal de terra ao ponto comum, conforme mostra a figura 5.

 

Figura 5 – Usando o injetor de sinais
Figura 5 – Usando o injetor de sinais

 

Se a reprodução for distorcida ou não houver, deve-se verificar o transistor, os componentes de polarização e também o alto-falante.

Para o transformador driver e saída, a prova de continuidade pode revelar problemas. Para o alto-falante, o leitor deve fazer a prova da substituição, que consiste em ter um alto-falante de prova para ligar em seu Iugar, caso se suspeite deste componente, provisoriamente.

 

2. Segunda configuração

Uma segunda configuração, bastante comum em radinhos é a que leva dois transistores casados em classe B, com transformador de saída, conforme mostra a figura 6.

 

Figura 6 – Configuração classe B – push-pull
Figura 6 – Configuração classe B – push-pull

 

Esta etapa exige tanto transformador driver com tomada central de secundário como saída com tomada central no primário.

Veja o leitor que cada transistor opera simetricamente em relação ao outro, o que significa que as tensões em cada um devem corresponder, o que facilita a descoberta de eventuais problemas com um multímetro.

Na mesma figura mostramos as tensões de uma etapa típica deste tipo em que temos o positivo à massa.

O multímetro tem a ponta vermelha ligada ao polo positivo da bateria enquanto que a ponta de prova preta é encostada nos pontos em que se deseja anotar as tensões.

As tensões de base, coletor e emissor devem ser absolutamente iguais numa etapa deste tipo que esteja boa.

Os transistores mais comuns para estas etapas são os mesmos da anterior, mas com a diferença que formam pares “casados”, ou seja, transistores escolhidos com as mesmas características.

Este fato é importante, pois na troca de um deve-se normalmente trocar também o outro, mesmo que bom, para manter o “equilíbrio". Se for trocado um só, o rádio poderá apresentar distorção, alteração de consumo e outros problemas.

Na loja, o leitor deve comprar um “par casado" como o 2SB577, HJ-17, ou outro, sempre segundo o fabricante.

Obs.: o leitor que pretende se especializar em consertos deve adquirir esquemas dos rádios mais comuns, que existem em publicações especializadas. Estes esquemas trazem as Indicações de todas as peças, além de informações importantes para o reparador, como as tensões nos principais pontos e os procedimentos para ajustes.

 

Obs. O artigo é de 1983. Hoje temos a internet para consultas.

 

As anormalidades que podem ocorrer numa etapa deste tipo são:

Distorção do som causada pela queima de um dos transistores, que pode ser localizado pela medida de tensão nos seus terminais.

Falta de som causada pela interrupção dos enrolamentos de um dos transformadores. Isso pode ser acusado pela medida da continuidade.

Excesso de consumo causado pela alteração de características dos transistores.

Este problema pode ser resolvido pela alteração de valor do resistor de 7k5 que deve ser aumentado, sem porém que se chegue ao ponto em que acontece a distorção.

Para medir o consumo de um radinho, o procedimento é mostrado na figura 7.

 

Figura 7 – Medindo o consumo
Figura 7 – Medindo o consumo

 

Coloca-se uma pequena folha de papel entre o polo positivo da pilha (última) e o suporte de modo a interromper a corrente. Depois encosta-se as pontas de prova, uma na pilha e outra no contacto com o multímetro na escala apropriada de mA (DC mA).

Consumos normais para rádios de duas pilhas situam-se entre 10 e 5omA enquanto que para rádios de 4 pilhas pequenas este consumo pode chegar até 100 mA com o volume máximo. Em repouso, as correntes são bem mais baixas.

Assim, para um rádio de 2 pilhas pequenas, a corrente com mínimo volume não deve ultrapassar 1omA o mesmo acontecendo para um de 4 pilhas pequenas.

 

3. Terceira configuração

Esta é uma configuração mais moderna, encontrada em rádios mais recentes, e faz uso de dois transistores complementares, conforme mostra a figura 8.

 

Figura 8 – Configuração com transistores complementares
Figura 8 – Configuração com transistores complementares

 

Os transistores normalmente usados neste circuito são de silício, e um é NPN enquanto o outro é PNP.

Nesta configuração a impedância de saída obtida é baixa, eliminando-se o transformador de saída. O som é levado diretamente ao alto-falante via um capacitor eletrolítico de alto valor.

Os dois diodos nas bases dos transistores funcionam como polarizadores e estabilizadores. O resistor na base do primeiro transistor determina a corrente de repouso do circuito que normalmente deve ficar abaixo dos 10 mA em radinhos comuns.

É fácil o leitor identificar um radinho que tenha esta saída, porque não temos o transformador e os transistores de saída são diferentes. Pares comuns são o BC327 e 30337 ou então BC237 e BC547. Para transistores japoneses podemos citar pares como o 2SB77 e 2SD77.

Neste caso, as tensões encontradas nos terminais dos transistores não são as mesmas, pois eles trabalham simetricamente, mas não em relação à fonte.

A simetria é em relação ao sinal, já que cada um amplifica metade do ciclo do sinal.

Os problemas que podem ocorrer com uma etapa deste tipo são:

Distorção, quando um dos transistores de saída tem algum problema. Este defeito pode ser determinado pela medida de tensões de acordo com o diagrama de cada aparelho.

Na nossa figura exemplo, mostramos as tensões de um circuito típico que servem de orientação para o leitor. Veja que tensões de base diferentes da tensão de emissor em valor que não seja perto de 0,6 V para transistores de silício ou de 0,2 V para transistores de germânio indicam problemas com este componente.

Falta de som, que é causada por problemas com o alto-falante ou o capacitor eletrolítico. A “queima" do eletrolítico pode levar um dos transistores a um esforço que culmina também com sua queima.

É claro que "queima" do eletrolítico refere-se à sua entrada em curto quando, retirando o alto-falante do circuito, medimos uma resistência nula entre seus terminais.

A prova com o injetor de sinais deve ser feita nos pontos indicados e a reprodução não é feita com volume igual nos dois casos, pois cada transistor apresenta características diferentes de operação, pelo que seu uso deve ser feito com cautela.

Importante na substituição de componentes deste circuito é que os transistores tenham os mesmos tipos que os originais.

 

 

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