Este artigo fez parte de uma seção mantida pelo autor na década de 1980 em que tratava de controles remotos via rádios simples, como os modulados em tom. Nele, o autor ensina os principais procedimentos de ajuste e escolha das frequências.
Um dos grandes problemas que os adeptos do radiocontrole encontram ao tentar montar um equipamento de dois ou mais canais operados por diferença de frequência de tom é a construção das bobinas dos circuitos de filtros.
Na figura 1 temos um diagrama de blocos em que um receptor de 3 canais com separação de tom é mostrado.
O sinal de RF recebido por este aparelho é modulado num tom cuja frequência depende do canal que deve ser acionado.
O receptor decodifica o sinal, extraindo-lhe a modulação de áudio a qual é levada aos filtros. Estes filtros são então sintonizados cada um numa frequência de modo que, somente aquele cuja frequência corresponde ao comando é acionado levando então a alimentação ao relê ou servo.
Como os receptores e transmissores usados em rádio comando têm problemas de seletividade e de largura de faixa, a modulação não pode ser feita com frequências elevadas,situando-se seus valores tipicamente entre 500 Hz e 7 ou 8 kHz, se bem que um projeto bem feito admita até valores mais altos.
Mas, mesmo assim, no caso de termos uma boa faixa de frequências é preciso ter muito cuidado com sua escolha já que para um mesmo projeto não podemos ter valores múltiplos.
Um sinal modulado em 2 kHz pode perfeitamente acionar um servo e filtro sintonizados para 4 kHz.
Isso significa que, as frequências dos filtros não devem ser nem muito próximas e nem de valores múltiplos. Números como 500, 800, 1300, 1700 e 2700 indicam uma boa escolha.
Números como 500, 600, 1000 e 1200,indicam uma má escolha.
E, como são construídos os filtros típicos?
Na figura 2 temos um diagrama básico de um denominado filtro"reflex".
O coração deste circuito é um filtro LC que tem por elementos básicos um capacitor e um indutor. Os valores destes componentes determinam as frequências ou a frequência que pode passar pelo circuito e acionar o relê.
Os capacitores existem no comércio numa ampla faixa de valores padronizados, mas o mesmo não ocorre com os indutores que devem ser fabricados pelo montador.
Estes indutores são formados por muitas voltas de fio esmaltado num núcleo de ferrite. Quando maior for o número de voltas, maior será a indutância obtida segundo fórmulas bem estabelecidas.
A dificuldade maior que o montador enfrenta é justamente essa: saber quantas voltas de determinado fio é preciso enrolar num bastão de ferrite para que, em conjunto com um capacitor de determinado valor possa obter a frequência que aciona o circuito (figura 3).
É claro que a maioria dos leitores não domina os cálculos envolvidos neste caso de modo que, para facilitar, forneceremos neste artigo as informações necessárias a obtenção das bobinas dos filtros em forma de tabelas.
Daremos então 4 tabelas de bobinas para diversas frequências mais usadas em radiocontrole com os capacitores correspondentes.
a) Bobina de 250 espiras de fio 35/100 esmaltado em núcleo de ferrite de 8 mm de diâmetro com 25 mm de comprimento e resistência de 1,75 ohms (resistência do enrolamento).
Os valores da primeira coluna referem- se ao capacitor em paralelo e os valores das colunas seguintes da frequência obtida para diversas correntes do motor (M2) no diagrama da figura 4.
Veja que as pequenas variações que podem ocorrer destes valores podem ser corrigidas pela utilização de um núcleo móvel (ajustável).
Como interpretar as informações da tabela:
A coluna central índica a corrente que temos no motor (no máximo) em função da corrente de entrada no circuito, ou seja, nos dá uma indicação da seletividade do circuito.
Por exemplo, quando variamos a frequência de 8700 Hz à 13900 Hz no caso da primeira bobina, temos a ressonância em 11000 Hz.
Nesta frequência com o mínimo de corrente na entrada do circuito (menos de 10 mA em todos os casos) obtemos o máximo de corrente na saída, cerca de 400 mA. Com a mudança da frequência de 11000 Hz para 9200 Hz ou para 13200 Hz a corrente no motor cai para 30 mA apenas, o que significa 10 vezes o valor máximo que o mesmo admite, insuficiente para colocá-lo em ação.
Em 8700 Hz a corrente na motor é de apenas 10 mA ou 40 vezes menor que o máximo.
Por estas tabelas o leitor pode escolher as frequências e as seletividades que melhor se adaptarem a uma aplicação prática.
Ao levar em consideração os valores, eles admitem uma tolerância de 20% ou mais conforme a marca. Será preciso, portanto, que o leitor disponha dos recursos para verificação das frequências de ressonância com precisão após a montagem dos circuitos.

















