Em trabalhos de espionagem, ou mesmo de investigação pode ser interessante que as pessoas nas proximidades ouçam uma conversa telefônica ou mesmo que o espião deseje estar com as mãos livres para pode anotar o que ouve, o que se trata de algo dificultoso nas condições normais.
De fato, o fone comum exige o emprego das mãos e sua proximidade do ouvido, fato que só pode ser contornado com a utilização de um interceptador ou adaptador telefônico.
O aparelho que descrevemos, além de possibilitar a escuta com maior volume, sem precisar encostar o ouvido no fone, já que é utilizado um pequeno alto-falante (sem volume exagerado, o que poderia causar microfonia), é tão pequeno que pode ser levado no bolso e utilizado com outras finalidades como, por exemplo, a procura de “linhas quentes” ou canais de transmissão por meio de fios.
Trata-se de um micro-amplificador alimentado por apenas 1,5 V de uma pilha miniatura e que usa uma sensível bobina captadora para retirar os sinais de um fone, ou mesmo de uma linha, sem a necessidade de conexões piratas que, em determinados trabalhos, poderiam ser detectadas.
De fato, conforme mostra a figura 1, basta aproximar o sensor deste amplificador da linha telefônica ou do fone de um telefone, para que os sinais sejam indutivamente captados e amplificados.
A reprodução será feita num pequeno alto-falante, com volume que permite que a escuta seja feita a uma distância que não seria possível com um telefone comum.
Aproximando & bobina captadora de paredes, ou mesmo de um tapete, é possível detectar linhas de transmissão ocultas ouvindo os sinais de áudio, eventuais conversas ou mesmo sinais estranhos que mereçam ser investigados.
Na figura 2 damos uma ideia de como o aparelho pode ser montado numa pequena caixa plástica e usado numa investigação de sinais estranhos, por exemplo, num quarto de hotel que possa estar sendo vigiado.
Um outro ponto importante deste projeto é o seu baixíssimo consumo, que permite que, mesmo alimentado por uma única pilha, ele possa ser utilizado por longos intervalos.
COMO FUNCIONA
Na figura 3 temos o diagrama completo deste aparelho.
A ideia básica deste projeto é um amplificador de duas etapas com transistores em acoplamento direto, para se obter maior simplicidade e com isso ficar mais compacto.
Os sinais são captados por uma bobina que deve ter o maior número possível de espiras, pois disso depende sua sensibilidade. Esses sinais são enviados à base do primeiro transistor amplificador (Q1).
Observe que a polarização de base desse transistor é feita por uma rede divisora formada por R1 e R2 através do enrolamento da própria bobina.
Uma vez amplificados pelo primeiro transistor, os sinais são levados à base do segundo transistor, onde recebem nova amplificação.
A carga de coletor do segundo transistor é um pequeno transformador de saída, que pode ser aproveitado de radinhos transistorizados fora de uso.
Este transformador pode ser eliminado se o leitor conseguir um alto-falante de pelo menos 50 ohms de impedância, ou ainda uma cápsula de fone com impedância desta ordem. Alguns aparelhos mais antigos, fora de uso, utilizam alto-falantes de média impedância, que podem ser aproveitados neste circuito.
O sinal do transformador é aplicado diretamente ao alto-falante para a reprodução.
Evidentemente, o alto-falante usado deve ter pequenas dimensões para que o aparelho se tome compacto e atenda às exigências das aplicações sugeridas.
O ganho do aparelho é razoável e a potência da ordem de algumas dezenas de miliwatts permite a audição próxima, livrando assim a mão do investigador para outras tarefas como, por exemplo, fazer anotações.
MONTAGEM
A disposição dos componentes numa pequena placa de circuito impresso e dada na figura 4.
A bobina X1 e o único componente crítico, mas existem diversas opções para o montador.
A primeira consiste em se empregar uma bobina captadora telefônica comercial, popularmente denominada “maricota”.
Conforme mostra a figura 5, essa bobina possui uma ventosa que facilita sua fixação no telefone de modo a captar os sinais.
O jaque é de acordo com a entrada da maioria dos gravadores cassete comum, de modo a permitir a gravação de conversas.
Se o investigador usar esta bobina, deve manter seu plugue e colocar um jaque igual no aparelho que descrevemos. Assim, a bobina também poderá ser usada com seu gravador portátil para a gravação de conversas telefônicas de modo rápido e sem a necessidade de conexão à linha.
Uma segunda opção para a bobina consiste em se enrolar de 2 000 a 5 000 voltas de fio esmaltado bem fino num bastão de ferrite de 0,5 a 1 cm de diâmetro e aproximadamente 5 cm de comprimento.
Finalmente, pode ser aproveitado o enrolamento primário de um transformador de saída miniatura do qual tenha sido retirado o núcleo com cuidado, conforme mostra a figura 6.
Obs. Se o cabo telefônico for tipo blindado e não par trançado o aparelho não captará os sinais.
Nestes dois últimos casos, a bobina é fixada na caixa, que deve ser plástica para que o seu metal não influa no campo magnético que deve ser captado.
O transformador usado (T1) deve ser de saída para transistores, e como se trata de componente que já não se encontra com muita facilidade, a melhor opção é retirá-lo de algum rádio fora de uso. Ele é fácil de ser identificado, pois vai ligado ao alto-falante, que também pode ser aproveitado neste projeto, se estiver em bom estado.
Os transistores admitem equivalentes, e os capacitores eletrolíticos devem ter uma tensão de trabalho de pelo menos 3 V. Os resistores são de 1/8 W ou maiores.
O interruptor S1 é opcional, pois existe a possibilidade de se retirar a pilha para desligar o aparelho.
Para a alimentação, tanto pode ser usada uma pilha botão, uma pilha miniatura comum ou do tipo lapiseira para transistores, que pode ser obtida com muito mais facilidade.
UTILIZAÇÃO E PROVA
A prova de funcionamento do aparelho é muito simples: basta aproximar a bobina do fone de um telefone quando houver conversação. Procure a melhor posição para ouvir no alto-falante o som dessa conversa. Para usar na escuta telefônica, basta procurar a melhor posição para a bobina captadora.
Se o som sair distorcido ou houver ganho baixo, altere R2, reduzindo-o para 27 k ou 22 k ou ainda tente modificar a bobina que pode não ter número suficiente de espiras.
Para interceptar uma conversa numa linha, basta aproximar a bobina da linha telefônica, eventualmente fazendo sua separação para não haver cancelamento de campos, conforme mostra a figura 7.
Procure então a melhor posição para ouvir os sinais. Se houver possibilidade, no caso de uma linha “frouxa”, tente enrolá-la na bobina captadora.
Para procurar linhas “quentes” escondidas numa parede basta passar o aparelho vagarosamente, atento a possíveis ruídos reproduzidos no alto-falante que possam indicar alguma instalação oculta.
A aproximação da bobina de fios da rede de energia provoca um ronco no alto-falante.
Lista de Material
Semicondutores:
Q1, Q2 - BC548 ou equivalentes - transistores NPN de uso geral
Resistores (1/8 W, 5%)
R1 - 100 k ohms
R2 - 33 k ohms
R3 - 5,6 k ohms
Capacitores:
4,7 uF/SV - eletrolítico
C2 - 100 uF/6 V – eletrolítico
Diversos:
X1 - Bobina captadora - ver texto
T1 - Transformador de saída com primário de 200 a 500 ohms e secundário de 8 ohms
FTE - 8 ohms - alto-falante pequeno – ver texto
S1 - Interruptor simples
B1 - 1,5 V - pilha comum ou miniatura
Placa de circuito impresso, caixa para montagem, suporte de pilha, material para a bobina, fios, solda,.etc..



















