Uma das dificuldades encontradas pelos montadores que não possuem instrumentos de prova é saber quando um componente está bom ou não, caso seja utilizado num projeto e não ocorra o funcionamento como esperado. Como fazer a prova de resistores, capacitores, diodos e outros componentes passivos é relativamente simples, mas o mesmo não ocorre com circuitos integrados, transistores e tiristores. Neste artigo, damos alguns circuitos simples que podem ser montados numa matriz de contatos ou mesmo ponte de terminais.

Nota: Artigo publicado na Eletrônica Total 12 de 1989

Podemos provar resistores, capacitores e diodos com um simples provador de continuidade, do tipo mostrado na figura 1. Neste provador, o led acende com brilho inversamente proporcional à resistência de um resistor; não acende na prova de capacitores, e com diodos acende em um único sentido, caso ele esteja bom.

 


 

 

Evidentemente, este provador não serve para testar componentes mais complexos, ou que possuam urna única função definida, tais como transistores, circuitos integrados ou SCRs. Saber se um componente deste tipo está bom ou não passa a ser um problema sério para quem não possui um instrumento apropriado e, normalmente, bastante caro.

O que sugerimos, como solução econômica, é a elaboração de pequenos circuitos de prova para estes componentes, os quais podem ser realizados numa matriz de contatos, com poucos componentes. Usando um indicador comum, como um led, pelo seu comportamento poderemos facilmente dizer se o mau funcionamento de um projeto se deve ou não a um integrado, transistor ou outro componente.

As provas partem do princípio de funcionamento básico de cada componente, o que é sempre interessante saber, principalmente quando se faz um projeto ou uma análise de um eventual defeito.

 

 

1. PROVA DE 555

 

Este integrado é usado em centenas de projetos em duas configurações básicas: como monoestável, em que ele é um "timer", gerando um pulso único de duração determinada, e como astável, em que ele oscila livremente em frequências de até 100kHz.

 


 

 

Para testar um integrado deste tipo, a maneira mais simples é obrigá-lo a oscilar. Se ele conseguir fazê-lo de uma maneira visível, é sinal que se encontra em bom estado. Isso é conseguido com apenas 5 componentes, além de uma fonte ou conjunto de pilhas. Na figura 2 damos o circuito de um pisca-pisca de prova que aciona um led. Sua montagem pode ser realizada numa matriz de contatos, como mostra a figura 3.

 


 

 

Com o integrado em boas condições, assim como os demais componentes, o led deve piscar ritmada-mente de 1 em 1 ou até de 5 em 5 segundos. Se o led não piscar, permanecendo apagado ou aceso, isso significa que o integrado se encontra em más condições.

 

 

2. PROVA DE 741

 

Um amplificador operacional como o 741 pode ser provado de diversas formas, a partir do seu próprio princípio de funcionamento. Pela figura 4, podemos observar que este componente possui duas entradas, uma inversora e outra não inversora, e uma saída.

 


 

 

 

O teste pode ser feito polarizando-se a entrada não inversora com aproximadamente metade da tensão de alimentação, o que é conseguido com dois resistores de mesmo valor. Estes resistores podem ter de 10 a 100k tipicamente.

Na saída temos também um divisor de tensão com dois resistores de 4700 tipicamente, onde é ligado o led e a saída do operacional.

Por meio de um potenciômetro de 47 a 100k, variamos a tensão de entrada do operacional. Aproximadamente até, a metade do curso do potenciômetro, em que a tensão de entrada se mantém abaixo da tensão de referência, a. tensão na saída do operacional se mantém alta e o led acende. Na outra metade, quando a tensão na saída do operacional se inverte, o led permanece apagado.

 


 

 

 

Enfim, girando o cursor do potenciômetro lentamente, devemos ter aproximadamente metade do giro com o led aceso e a outra metade com o led apagado. Se isso não ocorrer, o componente se encontra com problemas.

O teste deve ser feito com uma tensão de alimentação de pelo menos 9V e no máximo 15V. Para tensões acima de 12V os resistores de 4700 devem ser substituídos por outros de 1k.

Na figura 5 temos a montagem deste circuito de prova numa matriz de contatos.

 


 

 

 

 

3. PROVA DE TRANSISTORES

 

Transistores BC e. BF (de uso geral, para RF) e mesmo BD e TIP podem ser testados com simples circuitos na matriz de contatos, desde que seus terminais de emissor (E), coletor (C) e base (B) sejam identificados.

Partimos, então, do seguinte princípio para a prova: com a base aberta, aplicando uma tensão entre o coletor e o emissor num transistor bom, não deve haver circulação de corrente. Um led ligado neste circuito deve permanecer apagado. Se acender, é sinal que o transistor se encontra em curto e não pode ser usado.

Esta prova, entretanto, não é definitiva. Ligando em seguida um resistor de polarização de base, com valor conveniente, deve haver a circulação da corrente de coletor, com o acendimento do led.

Com a escolha apropriada dos valores dos componentes, e da polaridade da fonte, podemos testar praticamente transistores NPN e PNP de qualquer tipo. Na figura 6 é mostrado o circuito de prova.

 


 

 

 

Na figura 7 temos a sua montagem realizada numa matriz de contatos, se bem que para este caso possamos usar uma pequena ponte de terminais.

Para transistores BC e BF, o resistor de base deve ter de 10 a 82k, enquanto para os TIP e BD, deve ter de 2k2 a 4k7.

 

 


 

 

 

Para o teste, ligue inicialmente o transistor sem o resistor de base. Se o led acender, o transistor se encontra em curto. A seguir, coloque o resistor de base. Se o led acender, o transistor está bom. Se não acender, o transistor está aberto.

 


 

 

 

 

4. PROVA DE SCRs

 

Os SCRs do tipo 106 (T1C106, MCR106, 1R106, C106) podem ser provados com facilidade num circuito simples.

Partimos do princípio de que, com o SCR aberto não há corrente de anodo. Com o SCR disparado temos corrente intensa de anodo. Para disparar bastará um pulso de curta duração na comporta.

 


 

 

 

Na figura 8 temos o circuito básico utilizado, que pode ser montado em matriz de contatos, como mostra a figura 9, ou ainda em ponte de terminais.

 


 

 

 

Para a realização do" teste, inicialmente, colocamos o SCR no circuito, observando o led, que deve se manter apagado. Se o led acender, o SCR se encontra em curto, não podendo ser utilizado.

Depois, com um pequeno toque, unindo o resistor R1 à comporta, causamos o seu disparo. O SCR deve "ligar", acendendo o led, que assim permanecerá mesmo depois de afastado o resistor. Para desligar o SCR e apagar o led basta desconectar a fonte por um instante. Se o led não acender com o toque é sinal que o SCR se encontra aberto.

O resistor de disparo terá valores tipicamente entre 1 e 47k. A tensão de prova pode ficar entre 6 e 12V.

 


 

 

 

 

CONCLUSÃO

Existem muitos outros componentes em que a simples medida de continuidade ou de tensão não é suficiente para nos mostrar seu estado. Para estes componentes é muito mais interessante e seguro ter um circuito de prova. Neste artigo demos circuitos para a prova de 4 componentes, mas voltaremos, futuramente, com outros.

Lembramos que muitos componentes são delicados e que uma ligação errada, uma inversão de polaridade ou ainda excesso de calor pode facilmente danificá-los.

 

 

 

NO YOUTUBE


NOSSO PODCAST