Existem pequenos fatos que devem ser levados em conta pelos montadores de sistemas de radiocontrole que uma vez esquecidos podem comprometer completamente o bom funcionamento dos mesmos. Alguns desses fatos não são propriamente técnicos, mas sim envolvendo cuidados na escolha do circuito. na instalação do mesmo e na própria localização e instalação tanto do receptor com do transmissor. Neste artigo, falaremos um pouco de alguns desses problemas assim como dês cuidados que de vem ser tomados para evitá-los.

Existem muitas opções para a montagem de um sistema de rádio controle, e os leitores já sabem disso. O que talvez esses mesmos leitores não saibam é que, mesmo realizando a mesma função básica que é transmitir e receber um sinal para a realização de operações a distância, os diversos tipos de sistemas de radiocontrole apresentam comportamentos diferentes e estes comportamentos podem ser bons em alguns casos porém maus em outros.

Isso significa que se deve ter muito cuidado ao se pensar em fazer um sistema de radio controle para determinada finalidade. Não se deve pensar unicamente em termos de economia, espaço ocupado pelo circuito e alcance mas também nas condições em que o mesmo deve funcionar, nos recursos que o leitor tem para seu ajuste e instalação e também na confiabilidade que o mesmo deve ter.

Neste artigo discutimos alguns desses aspectos sugerindo ao leitor as considerações que devem ser feitas na escolha de um sistema de radiocontrole.

 

A EXPERIÊNCIA

Muitos dos sistemas de radiocontrole de tipos mais simples não têm senão um ou dois componentes no máximo que se necessita ajustar para colocá-los em funcionamento. Geralmente tratam-se de núcleos de bobinas ou trimmers que devem ser com cuidado levados à posição que faça o receptor funcionar na mesma frequência do transmissor (figura 1).

 

Figura 1 – os ajustes
Figura 1 – os ajustes

 

 

Para estes casos o leitor não necessitará de nenhum equipamento especial para proceder ao ajuste, isto é, não precisará de instrumentos elaborados tais como frequencímetros, medidores de intensidade de campo ou outros.

No entanto, para um sistema deste tipo, fica comprometido o alcance e a seletividade; conforme veremos a seguir, o que quer dizer que os sistemas muito simples obrigatoriamente sacrificam outras características importantes para conseguir esta finalidade: simplicidade.

Para o controle de um aeromodelo, no entanto, a simplicidade não pode ser conseguida tanto no transmissor como no receptor, pois logo de início já se precisa de mais de 1 canal. Não se pode seguramente controlar à distância um aeromodelo com um sistema de um canal apenas. Os sistemas para aeromodelos devem ter pelo menos 2.canais sendo comuns os de 4, 6, 8 e até mesmo 10 canais. (figura 2).

 

Figura 2 – Mais canais são necessários
Figura 2 – Mais canais são necessários

 

 

Ora, como a complexidade do sistema também dificulta os ajustes, pois já teremos diversos pontos em que eles devem ser feitos, maior experiência é exigida do montador neste caso.

Isso significa que, se o leitor se propuser a montar um sistema mais elaborado, deve obrigatoriamente estar preparado para isso não só possuindo a experiência necessária como também o equipamento que obrigatoriamente precisará para ajustes e comprovações de funcionamento.

Em suma, não se deve dar um passo maior que a perna. Se o leitor procura um sistema de rádio controle para montar e não tem ainda experiência suficiente e nem equipamentos, deve começar com os mais simples usando-'os em modelos facilmente recuperáveis e dirigíveis tais como barcos e carros, deixando somente para depois de adquirida a necessária experiência a montagem dos mais complexos, instalando-os então em aviões.

Veja que é também muito importante a experiência que o leitor tenha na utilização do rádio controle. Um barco ou carro se levados a uma manobra errada dificilmente sofrem danos enquanto que um aeromodelo, uma manobra errada tem sempre consequências desastrosas. (figura 3)

 

Figura 3 – Modelos mais críticos
Figura 3 – Modelos mais críticos

 

 

 

OS RECEPTORES

 

Na escolha de um sistema de rádio controle, é preciso analisar muito bem suas condições de funcionamento, a confiabilidade desejada e o número de canais que o mesmo deve possuir para se fazer a escolha do receptor.

Os receptores super-regenerativos apresentam grande popularidade nos radiocontroles em vista de sua enorme simplicidade e sensibilidade suficiente para poder ser acionado com facilidade por transmissores de pequenas potências. Tomam-se, portanto, ideais estes circuitos para os casos mais simples em que além de se desejar o mínimo de componentes (e consequentemente o mínimo de custo) se deseja também uma facilidade grande de ajuste, já que normalmente, um receptor super-regenerativo tem apenas um ponto de ajuste (figura 4).

 

Figura 4 – Ajuste do receptor
Figura 4 – Ajuste do receptor

 

 

Entretanto, a par das vantagens existem sempre as desvantagens.

A primeira delas está no fato do receptor super-regenerativo ter uma seletividade muito pobre, ou seja, tem muita dificuldade em separar convenientemente sinais de frequências próximas. Isso quer dizer que virtualmente, o rádio controle pode responder a qualquer sinal de frequência próxima a escolhida e em alguns casos isso pode causar alguns aborrecimentos.

No caso específico de radiocontroles usados em aberturas de portas de garagens, por exemplo, em que o receptor é do tipo super-regenerativo para onda continua pura (CW), até mesmo os ruídos irradiados pelo sistema de ignição dos carros que passam podem disparar o receptor fazendo a porta abrir a cada carro que passar. Não citamos também os casos em que estações de PX (faixa do cidadão), por operarem na mesma faixa também causam seu acionamento. (figura 5).

 

Figura 5 – Faixa de recepção
Figura 5 – Faixa de recepção

 

 

É claro que num sistema simples, de brinquedos ou mesmo de abertura de portas de garagens, o uso do transmissor de onda contínua e o receptor super-regenerativo ainda são a melhor solução e para se evitar estes acionamentos fora de hora pode-se usar de dois recursos.

a) diminuir a sensibilidade do receptor de modo que somente com sinais mais fortes irradiados de uma pequena distância se obtenha seu acionamento.

b) utilizar um circuito de retardo no receptor de modo que transientes, isto é, pulsos de pequena duração como os produzidos pelos sistemas de ignição de carros não possam atuar sobre o mesmo. O sinal para disparo deve ter pelo menos uns 2 ou 3 segundos de duração. Isso é feito com o uso de um capacitor de valor apropriado na parte de acionamento do relé.

c) finalmente temos uma solução mais segura que consiste na utilização de um sinal modulado em áudio para disparo, e um circuito de filtro no receptor que faça o mesmo responder somente a sua frequência. Com isto, mesmo havendo um único canal de operação, sinais espúrios, ruídos dificilmente farão qualquer efeito sobre o aparelho, com a vantagem de ser mantida sua sensibilidade.

É claro que, se as condições de operação do sistema forem mais críticas o leitor não terá outra solução senão modificar seu circuito completamente. Por exemplo, se o leitor residir em localidade próxima a emissora forte, ou a um radioamador PX, não haverá outra solução para o disparo aleatório do aparelho senão o estreitamento da faixa de sintonia e isso só poderá ser feito com o emprego de um receptor super-heteródino. Veja o leitor que, para cada caso pode haver uma solução diferente e que um receptor bom numa aplicação pode ser ruim na mesma aplicação, porém em condições diferentes de funcionamento.

No caso, os receptores super-heteródinos apresentam uma faixa de sintonia muito mais aguçada, isto é, são receptores de grande seletividade sendo portanto os recomendados para os casos de faixas congestionadas, quando o leitor estiver dirigindo seu modelo em locais em que existam outros modelos e em locais sujeitos a interferências e ruídos em maior intensidade.

Mas, conforme falamos a utilização de um receptor deste tipo já exige cuidados maiores do montador que deve ter equipamento para seu ajuste que é feito em muitos pontos. Temos maior seletividade e sensibilidade, mas também maior complexidade.

 

 

NÚMERO DE CANAIS

 

A escolha do número de canais que deve ter um sistema está condicionada ao número de operações separadas que devem ser realizadas no modelo controlado. Cada canal corresponde a uma função como, por exemplo: leme, velocidade do motor, inversão de sentido, etc.

Para o caso mais simples de mudança única de direção como os exigidos para barcos e carros, ou então de única operação como na abertura de portas de garagens, controle de projetores de slides, etc., um canal somente é suficiente, mas nos casos de aeromodelos, ou em que se desejar maior número de operações, o número de canais deve ser 2 ou maior.

O aumento do número de canais exige também um circuito mais elaborado e consequentemente não só uma eficiência na sua separação como também na sensibilidade do receptor (figura 6).

 

Figura 6 – Diagrama de blocos
Figura 6 – Diagrama de blocos

 

 

Veja o leitor então que não basta aumentar o número de canais disponíveis para se ter um modelo melhor dirigido. É preciso ao mesmo tempo garantir a sensibilidade do receptor, sua eficiência, e a potência muito maior no transmissor em vista das distâncias que ele pode ir.

 

 

FERRAMENTAS

 

O praticante de radiocontrole precisa ter um local de trabalho convenientemente ajustado para as necessidades deste hobby. Além de uma bancada espaçosa, é preciso dispor das ferramentas próprias para os trabalhos tanto eletrônicos como mecânicos.

É claro que inicialmente não se pode dispor de todas as ferramentas que o trabalho exige, do mesmo modo que não se pode partir imediatamente para a montagem dos projetos mais complicados.

De início o leitor deve ter as ferramentas básicas e como o auxílio destas ferramentas partir inicialmente para a montagem dos sistemas mais simples, de um canal apenas por onda contínua ou modulada, para barcos, carros ou abertura de portas, etc.

Para os trabalhos iniciais de montagem são as seguintes as ferramentas básicas recomendadas:

a) ferro de soldar de pequena potência (30W)

b) solda de boa qualidade

c) alicate de corte lateral

dl alicate de ponta

e) chave de fenda

f) faca ou canivete

Com este material o leitor já poderá fazer ,as montagens em pontes de terminais mais simples, que não exigem alto-grau de miniaturização podendo ser instaladas em caixas ou em barcos.

Para montagens mais compactas será preciso dispor de material para elaboração de placas de circuito impresso.

Para a prova de circuitos o leitor deverá ter dois recursos importantes:

a) um multímetro de baixo custo

b) uma fonte de alimentação ajustável de 0-12V (figura 7).

 

Figura 7 – Fonte ajustável
Figura 7 – Fonte ajustável | Clique na imagem para ampliar |

 

 

Com o passar do tempo, à medida que for adquirindo prática de montagens eletrônicas para radiocontrole poderá aumentar seus recursos com a compra de:

 

a) um gerador de sinais (figura 8)

 

Figura 8 – Gerador de sinais
Figura 8 – Gerador de sinais

 

 

b) provador de cristais

e) medidor de intensidade de campo ou grid-dip meter

d) frequencímetro.

 

Como ferramentas importantes que poderão constar da lista dos montadores mais avançados podemos citar:

a) furadeira para placa de circuitos impressos

b) ferro de soldar de maior potência

o) removedor de solda

 

 

PILHAS E BATERIAS

 

Um problema importante que deve ser levado em conta na realização de um brinquedo radiocontrolado é a obtenção da energia para seus diversos circuitos e dispositivos de controle.

À medida que o circuito se torna complexo e que um número maior de operações deva ser feita, maior quantidade de energia será preciso. Veia o leitor que a intensidade da corrente que se precisa para o acionamento de um dispositivo de controle (relê, solenoide ou servo) depende da força que o mesmo deve fazer e que em alguns casos é muito grande.

Assim, nos carros e barcos em que a movimentação da direção ou do leme não exige grandes esforços, as mesmas pilhas que alimentam o motor e o receptor também aguentam o acionamento do dispositivo de controle sem muitos problemas. E claro, que se houver espaço, será preferível usar um conjunto de pilhas para esta finalidade.

Mesmo não fazendo força muito grande, no entanto, para as pequenas pilhas existentes no comércio, o consumo é excessivo e seu desgaste geralmente rápido.

Para solucionar este problema, os sistemas de radiocontrole utilizam em alguns casos baterias recarregáveis de níquel- cádmio ou mesmo baterias comuns de chumbo.

Atualmente, para alimentação dos motores, servos, etc., as mais populares são as pilhas recarregáveis de níquel-cádmio, que infelizmente ainda não podem ser encontradas com facilidade em nosso mercado (figura 9).

 

Figura 9 – Pilhas recarregáveis
Figura 9 – Pilhas recarregáveis

 

(*) O artigo é de 1979

 

Estas pilhas, com grande capacidade de fornecimento de corrente podem alimentar por um bom tempo os dispositivos de maior consumo de modelos radiocontrolados e depois de esgotadas podem ser recarregadas com facilidade pela simples ligação em um aparelho especial (figura 10).

 

Figura 10 – Carregador simples
Figura 10 – Carregador simples

 

Em nosso caso, em que não podemos ainda dispor com facilidade destas pilhas, existem algumas soluções paralelas. Uma delas consiste na utilização dos pequenos acumuladores de chumbo-ácido usados em motocicletas os quais admitem um número muito grande de recargas, podendo fornecer uma corrente considerável.

(*) Atualmente já contamos com estas baterias. O artigo é de 1979 quando ainda não eram disponíveis aqui.

 

No entanto, por seu peso, estes acumuladores só podem ser utilizados como fontes em barcos ou então em carros de tamanho relativamente grande.

Estas baterias podem ser facilmente recarregadas pela circulação de uma corrente contínua de intensidade controlada através das mesmas, conforme sugere a figura 10. Nesta temos um pequeno carregador de baterias que pode funcionar tanto em 6 como 12V, conforme a lâmpada e o transformador usado.

 

 

 

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